António José Seguro foi esta quarta-feira a Belém pedir ao presidente da República a realizações de eleições antecipadas e de preferência no mesmo dia das autárquicas, 29 de setembro.

O líder do Partido Socialista tinha pedido, na segunda-feira, para ser recebido por Cavaco Silva, após o anúncio da demissão do ministro das Finanças, Vítor Gaspar.

«Deve haver eleições antecipadas e devem ocorrer no mesmo dia das autárquicas. O país teria a ganhar, poupavam-se recursos, tempo e punha-se fim a esta crise, porque Portugal merece ter um Governo, que seja gerador de confiança e dinamizador da economia», defendeu Seguro, após a audiência com o chefe de Estado.

«Uma vez mais, reprovo a atitude profundamente irresponsável do primeiro-ministro e do Governo, que deitam por fora os pesados sacrifícios dos portugueses. Só num dia as empresas portuguesas cotadas em bolsa perderam 2.650 milhões de euros e os juros voltaram a subir. Ninguém compreende esta atitude do Governo. É urgente parar com esta irresponsabilidade e pôr um fim a esta crise política que se soma a uma crise económica e social», começou por dizer o secretário-geral do PS, considerando que «o país tem de ser dotado rapidamente de um Governo forte, coeso, coerente, que recupere a credibilidade externa perdida e assuma os compromissos do Estado em termos europeus».

Questionado se a realização de eleições não abria caminho a um segundo resgate ao país, Seguro insistiu que «Portugal precisa de ter um Governo que equilibre as contas públicas» e que o país «deve permanecer na zona euro».

«Transmiti ao presidente da República, numa audiência que considero extremamente positiva, as soluções para sair da crise», acrescentou, adiantando que se encontrou ainda com o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, e com o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, sem adiantar, porém, o teor das conversações.

Sobre o facto de Angela Merkel ter manifestado apreensão pela crise política em Portugal, Seguro respondeu aos jornalistas que «não é preciso ser a chanceler alemã para ficar apreensivo, qualquer português está apreensivo neste momento», terminando, assim, as declarações à comunicação social.