O secretário-geral do PS considerou, esta quarta-feira, que está por provar uma nova teoria económica de um país em recessão, como Portugal, ter criado emprego líquido, advertindo que é preciso observar todos os dados e estatísticas sobre emprego.

António José Seguro falava aos jornalistas após ter sido o orador convidado de uma conferência promovida pelo American Club of Lisbon e pela Câmara do Comércio Americana, depois de interrogado sobre os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) que apontam para uma descida do desemprego para 15,3 por cento no último trimestre do ano passado.

«Fico satisfeito quando há criação de emprego, mas também não escondo que está por provar esta nova teoria económica em que um país em recessão (um por cento) criou emprego líquido», afirmou.

De acordo com o secretário-geral do PS, o desemprego permanece «elevadíssimo» em Portugal, já que há «mais de 800 mil portugueses que estão desempregados e mais de 200 mil que tiveram de emigrar nos últimos dois anos e meio por não encontrarem emprego no país».

«Temos um número elevadíssimo de cidadãos inativos, que estão em idade para trabalhar, mas já desistiram de procurar emprego por falta de oportunidades. Por outro lado, temos de olhar para a composição do emprego e para a remuneração desse mesmo emprego. Quando falamos sobre a realidade do emprego e desemprego de Portugal temos de ter presente todos os dados e todas as estatísticas», sustentou António José Seguro.

O «compromisso forte» do equilíbrio das contas públicas

O secretário-geral do PS assumiu hoje o «compromisso forte» para o equilíbrio das contas públicas. «O equilíbrio das contas públicas é um compromisso forte que assumo e que o PS assume, mas o modo de gerar recursos para esse equilíbrio é aquilo que sempre me separou do atual Governo e desta política», afirmou.

Neste ponto referente à disciplina financeira na zona euro, Seguro referiu que na presente legislatura os socialistas votaram a favor da ratificação do tratado fiscal da União Europeia e, como tal, está pronto para cumpri-lo, embora preferisse outro tratado.

Seguro, em seguida, apontou limitações de alcance ao tratado fiscal da União Europeia.

«O tratado fiscal europeu é apenas uma componente do compromisso que os Estados da zona euro têm ao nível da política monetária e das políticas públicas para a meta do défice, mas não encontra para a dívida nenhum instrumento para a ajudar a reduzir», alegou o secretário-geral do PS.

PS não está «perturbado» com eleições europeias

Seguro afirmou também hoje que o cabeça de lista socialista às eleições europeias será anunciado «no tempo adequado» e defendeu que na sua direção «ninguém está perturbado» com esse processo interno.

«Estamos preocupados com a situação muito difícil em que o país se encontra, já que está mais pobre e mais desigual, com mais impostos e menos serviços, designadamente na área da saúde», contrapôs o secretário-geral do PS.

Perante a insistência dos jornalistas no tema dos candidatos do PS às próximas eleições para o Parlamento Europeu, António José Seguro defendeu que «é importante» que todas as forças políticas apresentem as suas propostas, soluções e o respetivo programa.

«Sei que há uma grande expectativa e uma grande curiosidade em relação aos candidatos do PS, o que é bom», referiu.

Já sobre os nomes que têm sido referidos como hipóteses para encabeçar a lista do PS às eleições europeias - casos de Maria de Belém, João Proença, mas, sobretudo, o de Francisco Assis -, Seguro disse apenas que «a comunicação social é muito criativa».