O secretário-geral do PS, António José Seguro, reafirmou esta sexta-feira, em Seia, que não descarta a possibilidade de fazer acordos, mesmo que o partido obtenha a maioria absoluta nas próximas eleições legislativas.

«Mesmo com maioria absoluta não descarto acordos de incidência governamental e procurarei acordos de incidência parlamentar», afirmou Seguro, em Seia, onde participou na iniciativa da JS denominada «Academia Socialista».

Seguro, que respondia à pergunta de um participante no encontro, disse que não gosta da política partidária vigente em Portugal que refere que «governar é uma responsabilidade do partido que ganha e que está no governo».

«Governar o nosso país é uma responsabilidade de todos os agentes políticos, sociais e do povo português. Todos devem dar os seus contributos afirmando a alternativa, obviamente. Mas todos devem dar os seus contributos. E o nosso país precisa de reformas que não dispensam o contributo político e social de outros agentes que não o PS apenas», afirmou.

Em relação a futuros acordos, disse que o PCP e o Bloco de Esquerda (BE) têm um complexo de que «governar é pecado» e «incorrem num erro grave» que é o de identificarem o PS «como o seu inimigo principal, como o seu adversário político».

O PS procura obter uma maioria absoluta nas eleições mas, se não obtiver, promete empenhar-se para criar uma coligação de modo a que tenha «um apoio parlamentar maioritário».

«Mas não é uma coligação aritmética, essa coligação tem que ser na base do projeto que apresentamos aos portugueses», afirmou, acrescentando que exclui de uma eventual coligação com partidos que defendam a saída de Portugal da zona euro, a privatização da Caixa Geral de Depósitos, da RTP ou das Águas de Portugal, que queiram desmantelar a escola pública, o Serviço Nacional de Saúde ou a Segurança Social pública.

«O próximo governo não pode ser um governo de turno, não pode ser um governo de alternância, tem que ser um governo de projeto», disse, garantindo que não cederá «no essencial a troco de estar no poder».

Já no seu discurso, escutado por algumas dezenas de jovens da JS, Seguro mostrou-se satisfeito com o facto de o partido ter atingido, na sexta-feira, «145 mil inscrições de portuguesas e de portugueses simpatizantes do PS para poderem votar nas próximas eleições primárias».

Seguro ainda acredita que «esse número vai crescer», porque algumas dessas inscrições foram enviadas pelo correio.

«Pela primeira vez na nossa democracia há um partido que teve a coragem de abrir a escolha do seu candidato a primeiro-ministro à participação da cidadania, de cidadãs e de cidadãos que não são militantes de um partido mas que têm opinião e vamos respeitar essa opinião de todos», disse.

O secretário-geral do PS anunciou ainda que no início da próxima semana o PS vai apresentar na Assembleia da República uma proposta de alteração à lei eleitoral para permitir que os eleitores «possam escolher o seu candidato a deputado», como reporta a Lusa.