O secretário de Estado do Tesouro demitiu-se esta quarta-feira na sequência do caso dos swaps, depois de ter sido empossado como secretário de Estado há apenas um mês.

Um secretário de Estado com efeito tóxico (perfil)

Joaquim Pais Jorge enviou um comunicado às redações no qual informa que tomou esta decisão porque não quer sujeitar-se ao «lado podre da política», reafirmando que o documento que o implica, relativo às propostas de contratos swap apresentadas em 2005 pelo Citigroup ao Governo português, na altura liderado por José Sócrates, foi «falseado».

Governo: documento que implica Pais Jorge nos swap foi manipulado

«As notícias vindas a público nos últimos dias, em que uma apresentação com mais de oito anos foi falseada para que incluísse o meu nome, revelam um nível de atuação política que considero intolerável. A minha disponibilidade para servir o país sempre foi total. Não tenho, no entanto, grande tolerância para a baixeza que foi evidenciada», lê-se na nota.

«Considero que não tenho que me sujeitar a este tipo de tratamento mediático de que fui alvo nos últimos dias. Foram exploradas e distorcidas declarações que fiz sempre de boa-fé. É este lado podre da política, de que os portugueses tantas vezes se queixam, que expulsa aqueles que querem colocar o seu saber e a sua experiência ao serviço do país», acrescenta.

Joaquim Pais Jorge queria evitar que as «controvérsias criadas» sobre o seu percurso profissional sirvam de «arma de arremesso político contra o Governo».

«Saio sem qualquer arrependimento e de consciência limpa. Nenhuma manobra de baixa política poderia mudar a minha disposição de serviço à causa pública, nem de dedicação a Portugal. Retiro-me, no entanto, esperando muito sinceramente que a minha saída permita que todos se recentrem naquilo que é verdadeiramente importante», conclui.

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Veja o comunicado na íntegra:

declaração SET by Catarina Pereira