A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) acusou, este sábado, o PSD de viver «no mundo da lua e numa realidade ficcional». Catarina Martins aludia às explicações dadas pelo vice-presidente do partido sobre o fracasso nas negociações com o PS.

«O país está há 20 dias sem Governo, e o PSD fez hoje um discurso sobre os bons resultados, orgulhando-se [deles]. Mas em que mundo é que vive o PSD? No mundo da lua, ficcional e longe da realidade», afirmou Catarina Martins durante o discurso de apoio ao candidato do BE à Câmara de Salvaterra de Magos, no distrito de Santarém.

De acordo com a Lusa, a líder bloquista disse que «ainda bem que o PS» recusou o acordo com os partidos da maioria para a criação de um «Governo de Salvação Nacional», proposto pelo Presidente da República. Para Catarina Martins, Cavaco silva só tem uma alternativa: «convocar eleições antecipadas».

A coordenadora do BE sublinhou que a crise política «não começou com os bons resultados» alcançados pela coligação PSD/CDS-PP, mas antes pela carta de Vítor Gaspar a «reconhecer o falhanço no programa de ajustamento». Catarina Martins referiu também a carta do ministro e líder do CDS-PP, Paulo Portas, a pedir a demissão do Governo, «por não ter confiança no mesmo».

Catarina Martins acusou ainda Cavaco Silva e os socialistas de «entrarem num jogo perigoso». O primeiro por ter proposto que PS, PSD E CDS-PP encetassem negociações com vista à criação de um «Governo de Salvação Nacional», o segundo por ter aceite o repto.

«Ainda bem que o PS recusou ser cúmplice de um Governo moribundo», sublinhou a bloquista.

Quanto ao Presidente da República, «andou a perder tempo a tentar salvar a coligação de direita, e com jogos a ver se conseguia reciclar ou recauchutar o Governo. Não há acordo [entre PS/PSD e CDS-PP], e a única alternativa que tem é marcar eleições antecipadas, pois essa é a única saída de que precisamos e a única forma de ultrapassarmos a crise».

A coordenadora do BE reiterou que é necessário juntar as forças de esquerda para que haja uma alternativa ao Governo. Catarina Martins frisou que o BE «mantém as portas abertas» para receber e conversar com todos, apesar de o PS «ter preferido negociar com a direita».