O líder parlamentar do PSD exigiu esta sexta-feira um esclarecimento por parte do secretário-geral do PS, António José Seguro, sobre a sua posição relativamente à reposição de rendimentos dos portugueses, após declarações do conselheiro económico socialista.

«Queremos daqui lançar um repto para que haja clareza no debate público para que o deputado António José Seguro possa dizer qual a sua visão sobre o tema, se concorda ou não com o seu conselheiro económico», afirmou Luís Montenegro, nos Passos Perdidos do Parlamento.

Na quarta-feira à noite, na SIC Notícias, e questionado sobre se o PS quando for Governo repõe os salários, pensões e prestações sociais ao nível de 2011, o conselheiro económico do PS Óscar Gaspar disse que não. «A resposta séria é não. Nem os portugueses imaginariam, nem nunca ouviram do líder do PS nenhuma proposta demagógica para voltarmos a 2011 porque não é possível. As contas públicas portuguesas não o permitem», defendeu.

Na quinta-feira, o porta-voz do PSD e coordenador da comissão política Marco António Costa pediu para que o PS esclarecesse se as afirmações do conselheiro de António José Seguro «coincidem com as do Governo, e com o realismo da situação, ou se é a posição que tantas vezes se ouve pela voz de outros dirigentes do PS que prometem o céu e a terra aos portugueses» perto das eleições.

Na resposta, Óscar Gaspar garantiu, à margem de uma sessão da convenção «Novo Rumo para Portugal», que «ao contrário do Governo», o PS trabalhará, quando chegar ao executivo, para repor salários e pensões, mas sublinhou que «não há varinhas mágicas na economia».

«Creio que o país espera clareza do principal partido da oposição e do seu líder relativamente a uma matéria tão importante», insistiu hoje Montenegro.

O deputado social-democrata considerou ainda que a intervenção de Óscar Gaspar foi «uma aproximação maior à realidade» por parte do PS, mas que o seu «principal protagonista é o seu secretário-geral e a ele deve ser pedido que esclareça a sua posição».

Também o vice-presidente do PSD Marco António Costa acusou o PS ter «enganado e iludido» os portugueses, considerando que «caiu a máscara» aos socialistas quando reconheceram que não será possível repor os níveis salariais anteriores a 2011.

«O PS aquilo que faz é grandes proclamações piedosas de políticas para tentar iludir os portugueses, mas sabe e tem consciência que aquilo que está a dizer não é possível, não é realizável. E ontem caíram as mascaras», afirmou.

Insistindo que «algum discurso político que o PS tem feito em Portugal sobre matérias de rendimentos é para iludir eleitoralmente os portugueses», Marco António Costa afirmou que até agora os socialistas declaravam que quando fossem Governo que recolocariam todos os níveis de rendimento salarial e de pensões que existiam.

«Finalmente ontem compreendemos que isso não é assim, porque o PS ontem não pôde fugir mais à questão e teve que reconhecer que aquilo que andou a dizer nestes três anos é impossível e, portanto, teve que se confrontar com a realidade e reconhecer perante a opinião pública que estava a enganar os portugueses e a iludir os portugueses», acrescentou.

Questionado se isto significa que PSD e PS estão agora mais longe de um consenso, o vice-presidente social-democrata contrapôs essa ideia, sustentando que «no debate político» estão mais próximos, porque existe uma «coincidência de pontos de vista».

«Nós entendemos que não é possível repor os níveis salariais anteriores a 2011, nem os níveis das pensões anteriores a 2011, o PS que andou a dizer que era possível, reconheceu ontem que isso não era possível. Está a aproximar-se das posições que o PSD sempre teve de grande seriedade relativamente a esta matéria», vincou.