O PSD quer expulsar do partido 396 militantes que apoiaram candidaturas adversárias nas últimas eleições autárquicas, em setembro.

Esta posição resulta de queixas apresentadas e aguarda decisão do conselho de jurisdição nacional, de acordo com a edição desta quarta-feira do jornal Público. Mas há mais queixas em preparação, pelo que o número de militantes a expulsar pode ultrapassar os 500.

Segundo os estatutos dos social-democratas, «cessa a inscrição no partido dos militantes que se apresentem em qualquer ato eleitoral nacional, regional ou local, na qualidade de candidatos, mandatários ou apoiantes de candidatura adversária da que foi apresentada pelo PPD/PSD». Os estatutos determinam ainda «a suspensão automática e imediata de todos os direitos e deveres de militante, desde o momento da apresentação da candidatura até ao trânsito de decisão final».

Isto significa, ainda, que os militantes em questão deixaram automaticamente de fazer parte das listas das respetivas secções e que servem de base aos cadernos eleitorais nas eleições que vão decorrer nas concelhias do partido.

É o que acontece em Gaia, exemplifica o Público, onde muitos dos militantes que faziam parte das listas em maio passado deixaram de constar na lista fornecida pela direção nacional. A maior parte dos visados tinha apoiado a candidatura de José Guilherme Aguiar, que se desfiliou do PSD para se candidatar como independente contra Carlos Abreu Amorim, a escolha do partido.

O líder distrital do Porto dos social-democratas, Virgílio Macedo, explicou que os «militantes afastados têm as quotas em atraso», mas os apoiantes de Guilherme Aguiar falam de purga, uma vez que deixaram de constar da lista os militantes familiares de Guilherme Aguiar, como a filha, Ana Gomes Aguiar, que tem as quotas em dia.