O PSD anunciou hoje a disponibilidade para adiar votações de «processos legislativos importantes», como os relativos à Administração Pública, enquanto decorrem as conversações com PS e CDS-PP para o acordo proposto pelo Presidente da República.

Esta posição foi anunciada pelo deputado social-democrata Duarte Pacheco, em declarações à agência Lusa, e apresentada como demonstração de um «espírito de boa-fé em todo este processo negocial» por parte do PSD e de abertura do seu partido a «sugestões e contributos» do PS.

«Porque esse princípio de boa-fé tem de estar presente, nós vamos evitar ao longo desta semana todas as votações finais de processos legislativos importantes, porque, podendo eles ser alvo de algum consenso, temos de estar disponíveis para receber os contributos do PS», afirmou Duarte Pacheco, em nome do grupo parlamentar do PSD.

Interrogado sobre quais os diplomas a que se estava a referir, respondeu: «Por exemplo, os relacionados com as alterações na Administração Pública, que estavam agendados já para esta semana e [em relação aos quais] nós estamos disponíveis, com este princípio de boa-fé, a ponderar aquilo que o PS nos queira apresentar».

«Posso dizer que, por exemplo, na Comissão de Orçamento [e Finanças], nós tínhamos votações importantes ao longo desta semana, mas, por nós, poderemos adiá-las para o princípio da próxima semana, por forma a aguardar os resultados dessas negociações, mostrando a nossa boa-fé», acrescentou.

Duarte Pacheco acentuou a ideia de que os sociais-democratas estão «100% disponíveis para participar neste processo» negocial promovido pelo Presidente da República, Cavaco Silva.

«Se nós estamos a negociar, não vamos numa mesa estar a negociar e ao lado estar a impor a nossa vontade e não mostrar abertura, porventura, para incorporar soluções e sugestões e contributos que o PS tenha», argumentou.

Duarte Pacheco insistiu que o PSD está num «espírito de boa-fé» neste processo e deixou um apelo: «É este princípio que nós gostaríamos que o PS também tivesse».