O PSD aceitava, na sua proposta de bases para um acordo com PS e CDS-PP, a possibilidade de eleições antecipadas no pós-troika, numa data que assegurasse a atempada aprovação do Orçamento para 2015. Já o PS defendeu a realização de eleições em maio de 2014 e pediu o fim dos cortes de 4,7 mil milhões de euros e dos «despedimentos na função pública».

«Os partidos reconhecem, exclusivamente como consequência de um compromisso abrangente e vinculativo sobre as matérias que constam dos pilares 2 e 3 da comunicação do Presidente da República, a possibilidade de alteração do calendário eleitoral, «no respeito pelas competências próprias do Presidente da República», refere a versão final da proposta do PSD, hoje divulgada na página da Internet deste partido.

Na proposta do PSD lê-se que essa alteração do calendário eleitoral deveria acontecer «através de um processo a desencadear depois da conclusão do Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF)», prevista para junho de 2014, sendo as eleições marcadas «para uma data que não prejudique o pleno regresso ao financiamento de mercado, o que pressupõe também a atempada aprovação do Orçamento do Estado para 2015, nos termos constitucionais, e a sua efetiva entrada em vigor no dia 1 de Janeiro de 2015.»

Já os socialistas defenderam «a preferência pela realização de eleições no mesmo dia das eleições europeias (maio de 2014), não se opondo às outras duas hipóteses se disso for condição para se alcançar um compromisso».

Essas duas hipóteses seriam, segundo o PS, 07 ou 14 de setembro, baseando-se no prazo mínimo previsto na Constituição para convocação de eleições (55 dias) e tendo como referência a data de 30 de junho de 2014 para o fim do programa de assistência financeira.

«A realização de eleições nestas datas não condiciona a conclusão de um compromisso de salvação nacional. Não obstante, somos de opinião que o interesse nacional aconselha vivamente a realização de eleições antes das férias de verão, de modo a que entre outras vantagens, o próximo Governo disponha das melhores condições para elaborar a proposta de Orçamento de Estado para 2015», defenderam os socialistas.

Entretanto, os sociais-democratas divulgaram na sua página da Internet a versão final da sua proposta de bases para um «compromisso de salvação nacional», depois da intervenção pública de Seguro. A proposta de acordo do PSD tinha como primeiro ponto «assegurar a conclusão do Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF) em junho de 2014, as condições de sustentabilidade das contas públicas e a transição para o pleno acesso ao financiamento de mercado», o que implicava o apoio «às medidas necessárias» para esses objetivos.

«Nesse sentido, os três partidos garantem o apoio parlamentar ao cumprimento das atuais medidas do PAEF, designadamente, da lista de medidas do "Public Expenditure Review" (resultante da 7.ª avaliação), assim como da lista de medidas remanescentes do PAEF (tal como definidas nos memorandos de entendimento)», lê-se no documento.

O PSD previa que os partidos da maioria promovessem a «participação direta e ativa do Partido Socialista nas 8.ª e 9.ª avaliações regulares do PAEF, assim como nas restantes avaliações» e procurassem «realizar ajustamentos aos memorandos, nomeadamente ao nível da revisão da trajetória do défice orçamental e da dívida pública».

Em seguida, o PSD defendia que, na sequência desse envolvimento, os três partidos signatários do acordo assumissem o compromisso de «aceitar o resultado dessa negociação, por ocasião das 8.ª e 9.ª avaliações, assim como a assegurar o apoio político e parlamentar a todas as medidas daí resultantes ou, na ausência de acordo com a troika, apoiar as atuais medidas previstas no PAEF».