O Partido Socialista acusou esta quinta-feira o Governo de estar a «consumir dinheiro de forma impreparada», ao comentar a aprovação pelo executivo de 59 investimentos prioritários, a maioria dos quais nos setores marítimo-portuário e ferroviário.

O dirigente socialista Eurico Brilhante Dias afirmou à agência Lusa que «o Governo foi capturado por uma contradição insanável» e que, «em grande medida, não era de esperar que um governo que não tem uma ideia estratégia para o país a tivesse para as infraestruturas».

O Governo aprovou hoje um conjunto de 59 investimentos prioritários a concretizar nos próximos oito anos, que envolvem um investimento global de 6.067 milhões de euros, a maioria dos quais nos setores marítimo-portuário e ferroviário.

As prioridades estão estabelecidas num relatório elaborado pelo Grupo de Trabalho para as Infraestruturas de Elevado Valor Acrescentado que o Governo vai enviar na sexta-feira para Bruxelas e cujas linhas gerais foram apresentadas hoje pelo Ministro da Economia, numa conferência de imprensa.

Eurico Brilhante Dias acusou o Governo de «elencar um conjunto de projetos, sem desígnio coletivo e sem coerência interna», apontando ainda que o executivo «vem dizer que estes projetos são prioritários quando ao mesmo tempo ainda não fez os estudos sobre os seus impactos na economia, no emprego e de natureza ambiental».

«Ficam as perguntas: então [os projetos] são prioritários, mas não conhecemos os impactos? Então e se depois dos estudos resultar que os impactos são mínimos ou negativos deixam de ser prioritários?», questionou.

O socialista recordou que, «durante 2013, o secretário-geral do PS e o PS no parlamento, por várias vezes, pediram ao Governo que avançasse no trabalho de preparação deste quadro comunitário, [no qual] a área das infraestruturas é central».

A situação levou-o a considerar que «há projetos que estão presentes com mérito individual, alguns dos quais já deviam estar concluídos, como o Túnel do Marão, mas o seu mérito individual carece de coordenação».

Acentuou ainda que «há projetos com maturidade diferente: projetos que estão quase a terminar, outros que nem sequer começaram, outros [ainda] de que se desconhece o impacto na economia portuguesa».

Eurico Brilhante Dias acusou o executivo de «não ter feito os trabalhos de casa», questionando: «Como saímos desta contradição insanável - entre o que é prioritário, mas não foi estudado, e o que provavelmente deixará de ser prioritário se for estudado?»

«O país não pode continuar a gastar fundos comunitários desta maneira. Não pode continuar a consumir dinheiro de forma impreparada. É isto que está a acontecer», sintetizou.

Apontou ainda ao Governo a contradição de ter ¿diabolizado o investimento público¿ e agora estar com a «necessidade de apresentar um conjunto de projetos ao abrigo do quadro comunitário». como cita a Lusa.