PS considerou esta quarta-feira que conseguiu travar que o ex-secretário de Estado Carlos Moedas fosse nomeado para uma pasta social da Comissão Europeia, mas que terá a colaboração dos socialistas como comissário para a ciência e inovação.

Esta posição foi transmitida à agência Lusa pelo eurodeputado socialista Carlos Zorrinho, depois de o presidente eleito da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, ter anunciado que o comissário indicado por Portugal para o futuro executivo comunitário, Carlos Moedas, assumirá as pastas da investigação, ciência e inovação.

«Portugal enviou para Bruxelas um comissário ortodoxo, quando a União Europeia precisa de mudança. Por isso, perdeu a oportunidade de ter uma pasta económica diret»", começou por afirmar Carlos Zorrinho.

O ex-presidente do Grupo Parlamentar do PS referiu depois que «os socialistas fizeram sentir» junto de responsáveis das instituições europeias «que não era aceitável que um comissário com o perfil de Carlos Moedas ficasse numa área social». «E conseguimos», concluiu Carlos Zorrinho

De acordo com o eurodeputado do PS, a pasta da investigação atribuída ao ex-secretário de Estado do executivo liderado por Passos Coelho «é importante».

Moedas vai para setor que «ajudou a asfixiar»

O líder da delegação do PCP ao Parlamento Europeu, João Ferreira, considera que Carlos Moedas vai para Comissário da Investigação e Ciência depois de no Governo ter sido um dos rostos responsável pela asfixia destas áreas em Portugal.

«Além de não ser conhecido a Carlos Moedas qualquer pensamento e trabalho específico anterior nas áreas de investigação e ciência, foi atribuída a Carlos Moedas esta pasta, quando é um dos rostos do Governo que nas últimas décadas mais atacou a ciência e investigação, bem patente na asfixia financeira e material das universidades e laboratórios do Estado», afirmou João Ferrreira à Lusa.

Segundo o deputado comunista, o Governo de Passos Coelho é o responsável pela «diminuição significativa de bolsas de investigação», de uma avaliação a centros de investigação «cujo objetivo é encerrar» grande parte.

Escolha «acertada» de Passos

Já o PSD destacou o valor do orçamento que Carlos Moedas vai gerir e defendeu que isso prova o acerto da escolha feita pelo primeiro-ministro. Em declarações aos jornalistas, na Assembleia da República, o vice-presidente do PSD José Matos Correia referiu que Carlos Moedas «vai gerir, ao abrigo de um programa comunitário até 2020, verbas na ordem dos 80 mil milhões de euros», que constitui «o maior programa gerido diretamente pela Comissão Europeia em termos do que representa financeiramente».

Segundo o dirigente e deputado social-democrata, «trata-se do reconhecimento das competências e da qualidade do engenheiro Carlos Moedas» e «trata-se também de um reconhecimento do acerto da escolha feita por Portugal e, em particular, pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho».

«A atribuição de uma pasta com esta relevância e, repito, gerindo um envelope financeiro desta dimensão é a prova de que a escolha foi correta», reforçou José Matos Correia.