O PS criticou nesta terça-feira o Bloco de Esquerda e PCP por se excluírem do processo de diálogo aberto pelo Presidente da República, acusando-os de fazerem «jogos partidários», e vincou a defesa da permanência de Portugal na zona euro.

Estas posições dos socialistas foram transmitidas no final da reunião com o Bloco de Esquerda, através de um comunicado lido pelo dirigente Óscar Gaspar, assessor da direção do PS para os assuntos financeiros e económicos.

No comunicado citado pela agência Lusa, os socialistas referiram que a reunião, na sede do PS, que durou pouco mais de uma hora, se realizou a pedido do Bloco, tendo lugar numa conjuntura «de emergência nacional, em que todos os diálogos interpartidários são essenciais» para se encontrarem «soluções para os graves problemas que o país atravessa».

«O PS não recusa nenhum diálogo, nem excluiu nenhum partido nesse diálogo, sobretudo, quando a situação do país exige o contributo de todos», apontam os socialistas, antes de lamentarem que comunistas e bloquistas se tenham excluído do processo proposto pelo chefe de Estado, Cavaco Silva, tendo em vista um acordo «de salvação nacional».

Para o PS, Bloco e PCP «fizeram mal» em excluírem-se e agora, segundo os socialistas, estão «em competição» e «cada um deles lança o seu processo: O PCP com a Intervenção Democrática, Os Verdes e o BE; o BE com o PCP».

«O país dispensa este jogo partidário. O PS não entra neste jogo partidário. O PS está empenhado no processo de diálogo, lamenta uma vez mais que o BE e o PCP tenham recusado dar o seu contributo», critica a direção do PS.

No comunicado, o PS também reitera as suas posições de princípio em termos políticos, algumas delas em colisão com as posições atuais dos bloquistas.

«O PS não abdica dos seus valores e das suas posições em defesa da continuação de Portugal na zona euro; da sustentabilidade do Estado Social e de colocar o emprego e a economia no centro das políticas para o equilíbrio das nossas contas públicas», salienta o documento.

Por outro lado, o PS também reafirmou a sua oposição ao Governo PSD/CDS, vincando que em abril passado apresentou no parlamento uma moção de censura ao executivo liderado por Pedro Passos Coelho.

«O PS assume por inteiro todas as suas responsabilidades. Censurou este Governo em abril e vai voltar a fazê-lo esta quinta-feira», refere este partido, agora numa alusão à moção de censura do Bloco de Esquerda.

No comunicado, deixa-se uma porta aberta a futuras conversações, quando se alude ao facto de os socialistas terem já dialogado «com os partidos por sua iniciativa, em junho deste ano».

«E continuará todos os diálogos as vezes que forem necessárias. Para o PS o que está em causa não é salvar este Governo que tem os dias contados Para o PS o que está em causa é salvar Portugal», acrescenta o comunicado.