O secretário nacional do Partido Socialista (PS), João Proença, considerou este sábado que a aplicação de uma tabela remuneratória única (TRU) a todas as carreiras da Administração Pública será injusta e visará «objetivos claramente errados».



«O que o Governo pretende é, simplesmente, poupar, não é promover uma maior justiça remuneratória nos trabalhadores da administração pública», referiu João Proença, antes da sessão de abertura da conferência «Uma Administração Pública Eficiente e com Qualidade», no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.



De acordo com a Lusa, João Proença sublinhou que a TRU, que consta de um documento que sintetiza as reformas a realizar na administração pública, tem como propósito «congelar salários e prejudicar trabalhadores».



A TRU tem também como objetivo «acabar com tudo o que é remunerações acessórias», o que o secretário nacional do PS entendeu que é uma «ideia que não é má», mas sem deixar de criticar a aplicação.



O antigo secretário-geral da União Geral de Trabalhadores (UGT) lembrou que «houve um relatório no final dos anos 80 sobre remunerações acessórias na administração pública». João Proença vincou que «se tem tentado introduzir alguma disciplina nas remunerações».



Mas João Proença assinalou que a TRU, que pretende a valorização de trabalhadores mais qualificados, a revisão de carreiras e a eliminação de regimes paralelos, «não é para haver uma justiça retributiva e para a igualdade».



O secretário nacional do PS esclareceu ainda que a TRU poderá provocar «a saída de muitos quadros e também a desmotivação de muitos quadros», concluindo que conduzirá «ao enfraquecimento da administração pública».