O PS acusou esta quarta-feira o Governo e o PSD de falarem de um Portugal «que não existe», tentando criar com declarações «indecorosas» à imprensa «um país de fantasia».

«As declarações do PSD e do Governo são indecorosas, são de grande falta de rigor, seriedade, são indecorosas considerando as dificuldades e sacrifícios pelos quais os portugueses passam no dia-a-dia precisamente por responsabilidade do Governo do PSD e do CDS-PP», disse o deputado socialista Nuno Sá, em declarações aos jornalistas no Parlamento.

O socialista reagia a declarações desta tarde do porta-voz do PSD, Marco António Costa, que se congratulou com a emissão de dívida pública portuguesa, que registou os juros mais baixos desde há cinco anos, e acusou o PS de ficar «zangado» com as «boas notícias» da economia portuguesa.

Portugal emitiu 1.250 milhões de euros com forte queda dos juros.

«Duas emissões de dívida pública, a do passado dia 09 e a de hoje, atestam que a perceção de risco que os investidores têm sobre a dívida portuguesa está a diminuir consideravelmente. Na operação de hoje, o Estado obteve 1250 milhões de euros num leilão duplo de bilhetes do tesouro», realçou Marco António Costa.

Para o PS, o porta-voz laranja falou de «um país às mil maravilhas» que «só o Governo e o PSD veem», e isso «o PS não faz» porque «está na política com uma relação de seriedade com os portugueses».

Nuno Sá enumerou posteriormente alguns problemas que os portugueses sentem em áreas como a Saúde ou a Educação para realçar que a situação que o país vive não é a que é retratada pelo PSD.

Os “cortes cegos que o Governo tem feito na Saúde”que prejudicam cidadãos desde os cuidados primários às urgências, os cortes no Rendimento Social de Inserção, o desemprego e a ausência de futuro” para os jovens e os cortes nas pensões foram algumas das situações que o socialista levantou aos jornalistas.

Na conferência de imprensa, Marco António Costa tinha ainda aconselhado o PS a «olhar para o exemplo do presidente francês François Hollande que, à semelhança do governo português, traçou o rigor e a disciplina, como método fundamental de um novo tempo para a França», cita a Lusa.

Sobre este ponto, o socialista Nuno Sá demarcou Portugal da «realidade económica e social» própria de França, declarando que o Governo se deve focar nas respostas a oferecer às dificuldades dos portugueses.