O porta-voz do CDS-PP defende que um programa cautelar não é necessariamente pior do que uma saída da ajuda externa como a da Irlanda, argumentando que uma comporta «condições» e a outra «riscos».

«Ambas as opções têm vantagens e inconvenientes. Não podemos considerar que o programa cautelar é uma hipótese pior que a saída pela qual a Irlanda optou, porque a saída sem programa cautelar determina um número de riscos e a saída com programa cautelar implica um determinado número de condições», afirmou João Almeida.

Em entrevista à Lusa, o ainda porta-voz do CDS-PP, que assumiu recentemente as funções de secretário de Estado da Administração Interna, considerou que não existem ainda «condições para dizer que é preferível uma ou outra opção».

A escolha de um novo porta-voz dos centristas será anunciada no XXV Congresso, que decorre no sábado e no domingo em Oliveira do Bairro.

João Almeida sublinhou a «segurança muito grande» de já não haver a possibilidade de um segundo resgate, dando esse facto como adquirido.

«Há um ano atrás estava muito longe de ser garantido e havia muita gente que dizia que era inevitável um segundo resgate. Hoje é adquirido que isso não acontecerá. A partir daí, deixar todas as hipóteses em aberto, acho que é a melhor estratégia negocial», sustentou.

«A própria Irlanda começou a definir essa estratégia cerca de três meses antes. Não se ganha nada em antecipar essa decisão», afirmou, sublinhando a «operação importante de colocação de dívida» no mercado que decorreu na quinta-feira e a «evolução da taxa de juro em mercado secundário que tem sido bastante favorável».

Enquanto vice-presidente da bancada parlamentar e deputado na comissão de Orçamento e Finanças, João Almeida foi uma das vozes mais críticas das opções do Governo no domínio económico e financeiro. Questionado se a sua ida recente ida para o Governo o vai obrigar a «engolir» as críticas, João Almeida respondeu: «Quando fiz várias críticas no passado em relação à atuação do Governo e algumas discordâncias sobre medidas, fi-lo sempre na intenção por um contributo para uma alternativa melhor. Não há nenhuma razão para que no Governo não mantenha essa atitude».

João Almeida considera que o Governo ganhou «coesão política» e «coerência de discurso» desde a remodelação que aconteceu na sequência da crise política do verão.

O porta-voz centrista espera que o Congresso sirva para fazer o balanço da governação e para Paulo Portas esclarecer a crise do verão, mas também para «lançar a segunda fase deste do Governo, o período de governação fora da assistência, e também preparar o partido para ter propostas políticas, para ter um conjunto de políticas públicas que sejam apresentáveis no pós-troika».

João Almeida afirmou que «o mais provável» é que o próximo mandato de Paulo Portas não seja o último e admitiu uma candidatura de Portas à Presidência da República. «Depende do clima que houver nas eleições presidenciais. Se for um debate mais alargado, acho que várias candidaturas enriquecem e, necessariamente, acho que hoje em dia é impossível considerar um espaço do centro para a direita, em termos de representação de algumas personalidades que tenham essa implantação nesse espaço político, excluindo Paulo Portas», disse.

Para o centrista, o «balanço positivo» no final da legislatura pode determinar condições «como nunca houve» desde o Governo da Aliança Democrática para «discutir uma eventual coligação pré-eleitoral» com o PSD.

«O balanço final da legislatura será determinante para um balanço dos dois partidos fazerem ou não uma coligação. Havendo um balanço positivo no final da legislatura, acho que haverá condições, se calhar como nunca houve no passado mais recente, pós-início dos anos 1980, para discutir uma eventual coligação pré-eleitoral, mas acho que é muito cedo ainda para fazer essa antecipação», argumentou.