O assunto mais premente são as primárias, mas António José Seguro, numa entrevista publicada este domingo no «Público», vê em António Guterres um bom candidato presidencial. Já lá vamos. E quem vai concorrer nas legislativas para o lugar de primeiro-ministro? Seguro é da opinião que o seu rival interno deve terminar o mandato na Câmara de Lisboa.

Há três anos à frente do PS, e depois de apanhar com as «tempestades» da troika, quando devia chegar a bonança e um governo de direita desgastado, eis que o líder socialista enfrenta oposição interna: António Costa, o autarca de Lisboa, que o leva a enfrentar um combate antecipado. As primárias do PS são em Setembro e daí sairá o socialista que vai defrontar outro combate, as legislativas.

À pergunta do Público «por que é avançou para as primárias em vez de convocar eleições diretas?», Seguro explicou que «foi criado um problema novo ao PS e que não estava previsto. As eleições normais no PS para escolha do secretário-geral ocorreram no ano passado e estavam marcadas para depois das legislativas» e acrescentou «a minha responsabilidade foi, perante um problema que António Costa criou, encontrar uma solução política».

António José Seguro terá sido «traído» por António Costa? O atual líder socialista não usou a palavra, mas assumiu que «o António Costa disse que queria ser candidato e depois recuou. E propôs um acordo, que, aliás, foi celebrado. Agora, não só é a destempo, como ele rasga o acordo que foi sufragado por mais de 90 por cento dos militantes. Isto é a primeira vez que acontece, violando uma cultura de solidariedade e de lealdade». Mais: «Não posso ser eu o culpado pela situação que o PS está a viver», disse.

«Não é normal que António Costa diga que o PS, depois de se ter mobilizado todo ao longo destes três anos para se afirmar como alternativa, para voltar a ser novamente um partido vencedor, não merecia o que lhe está a acontecer. O responsável por isso é António Costa» e referiu que «quando se escolhe um candidato a primeiro-ministro, a personalidade, o carácter político é muito importante. Isso também tem que ser avaliado na vida política nacional».

Seguro assumiu que, caso vença as primárias e mais as legislativas, não conta com António Costa num Governo. «António Costa deve cumprir o seu mandato para o qual os lisboetas o elegeram», como escreve o jornal.

Outro António. Guterres. É um bom candidato para chefe de Estado, reconhecendo nele várias qualidades, entre elas, o prestígio internacional.