A proposta de regulamento de eleições primárias apresentada pelo secretário-geral do PS, António José Seguro, foi aprovada, nesta madrugada, por maioria de dois terços em votação final global ao fim de cinco horas de reunião da Comissão Política.

Segundo fonte oficial do PS, a proposta de regulamento do secretário-geral obteve 48 votos a favor, 23 contra e uma abstenção.

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Na especialidade, por proposta da direção, foi aprovado um artigo que estabelece a data de 12 de setembro para o encerramento dos cadernos eleitorais, realizando-se o ato eleitoral a 28 de setembro.

Neste ponto, os apoiantes de António Costa propuseram em alternativa a data de 5 de setembro, mas obtiveram apenas 26 votos, contra 57 da corrente que apoia António José Seguro.

Na reunião da Comissão Política do PS, que foi marcada por um ambiente de tensão entre os apoiantes de Seguro e de Costa, foi ainda rejeitada a proposta do presidente da Câmara de Lisboa no sentido de as eleições primárias terem uma comissão de fiscalização - órgão que, se fosse aprovado, seria presidido pelo ex-comissário europeu António Vitorino.

Rejeitada esta proposta de António Costa, o papel de fiscalização, sobretudo no respeitante a casos que possam ser considerados omissos em relação ao regulamento agora aprovado, será decidido pela Comissão Nacional de Jurisdição do PS.

Consenso para que Jorge Coelho presida à comissão organizadora

O secretário-geral do PS aceitou o nome do ex-ministro socialista Jorge Coelho para presidir à comissão organizadora das eleições primárias para a escolha do candidato a primeiro-ministro, disse à agência Lusa fonte do partido.

A posição do líder socialista foi transmitida na parte final da reunião da Comissão Política Nacional do PS dedicada à discussão e votação da proposta de regulamento das eleições primárias de 28 de setembro, ato eleitoral que será aberto à participação de simpatizantes.

O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, propôs no domingo o nome de Jorge Coelho para presidir à comissão organizadora das eleições primárias e o ex-comissário europeu António Vitorino para liderar a comissão de fiscalização.

No entanto, a direção dos socialistas tem manifestado oposição à ideia dos apoiantes de António Costa no sentido de ser criado um órgão próprio de fiscalização das eleições primárias, entendendo que os casos omissos que surgirem ao longo do processo poderão ser decididos pela Comissão Nacional de Jurisdição do PS.

Os apoiantes de António Costa, porém, consideram que a Comissão Nacional de Jurisdição não oferece garantias de credibilidade.

Durante a reunião, confrontado com críticas do setor ligado ao presidente da Câmara de Lisboa, António José Seguro respondeu: «Tenho enorme autoridade moral.»

«Durante três anos ouvi muito e calei-me», declarou, citado por um dos membros da Comissão Política Nacional do PS.