O ex-ministro Freitas do Amaral defendeu quarta-feira a necessidade de uma «pedagogia cívica e humanista perante os estudantes» na questão das praxes, sugerindo cortes nos subsídios estatais às associações de estudantes onde haja praxes abusivas.

Em entrevista à RTP na quarta-feira à noite, Freitas do Amaral defendeu ser «preciso que os reitores, e através deles os diretores das faculdades, se empenhem pessoalmente em acabar, pelo menos, com os aspetos excessivos e ilegais das praxes».

«Hoje as associações de estudantes são todas financiadas por um instituto qualquer da juventude, que gasta milhares e milhares e milhares de euros. Uma boa reforma do Estado é passar a dizer que as faculdades e as universidades onde houver praxes que excedam apenas aquilo que é puramente divertimento sem sofrimento, deixarão de receber qualquer subsídio do Estado», sugeriu.

Manifestamente contra as praxes, Freitas do Amaral considerou que «se deve fazer tudo para que elas desapareçam ou regressem à pureza inicial e que haja esta ação pedagógica, feita junto dos estudantes, a explicar porque é que a praxe não pode ser aquilo».

«Esta tradição é um resquício do feudalismo. Hierarquização das pessoas em graus e os de cima a iniciarem ou darem os primeiros direitos aos de baixo, com eles ajoelhados», comparou.