O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Rui Machete, afirmou esta sexta-feira que Portugal vai contribuir com ajuda humanitária, «dentro das suas possibilidades», para ajudar as minorias perseguidas no Iraque.

Rui Machete falava à Lusa no âmbito da reunião de emergência de ministros dos Negócios Estrangeiros, hoje, em Bruxelas, sobre a situação no Iraque.

«Portugal, neste momento, comprometeu-se a estudar e a dar um auxílio humanitário, de acordo com as suas possibilidades financeiras, que não são, neste momento, extremamente abundantes», afirmou.

«Não queremos deixar de contribuir e de nos inscrever nesse movimento humanitário de apoio às minorias que estão a ser objeto de um verdadeiro massacre por parte do movimento terrorista» Estado Islâmico (EI), sublinhou.

Alguns países europeus «vão contribuir com armamento» para a região autónoma do Curdistão iraquiano, desde que aprovado pelo Governo iraquiano.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE decidiram hoje a favor do fornecimento de armas aos combatentes curdos no Iraque, numa decisão que cabe a cada Estado-membro.

Os ministros europeus debateram ainda a necessidade de promover e incentivar o acordo político e inclusivo em Bagdad, para a formação de um governo sólido, que integre diferentes comunidades étnicas e fações políticas, o que foi conseguido com a nomeação do novo primeiro-ministro, Haidar al-Abadi.

«A principal missão deste Governo é defender a integridade territorial e reconstrução democrática do Iraque», fundamental perante a ação terrorista do EI, que visa aterrorizar as populações e minorias muçulmanas, cristãs, curdas e yazidis, observou.

O ministro destacou também a «necessidade urgente de apoio humanitário» para minorar a situação dos deslocados.

O Estado Islâmico avançou, há cerca de dez dias, na direção da região autónoma, e relativamente calma, do Curdistão iraquiano, pondo em fuga dezenas de milhares de membros das minorias cristã e yazidi (curda e não muçulmana).

A 8 de agosto, os Estados Unidos lançaram ataques aéreos diários no norte do país, na primeira ação militar no Iraque, desde a retirada das tropas norte-americanas no final de 2011. Washington enviou também armas aos combatentes curdos.

Milhares de refugiados estão instalados, em condições muito precárias, em campos no Curdistão ou na fronteira síria, sem esperança de um rápido regresso a casa.

Desde 9 de junho, o EI conquistou zonas do território a norte, a oeste e a leste de Bagdad, perante a retirada das forças armadas iraquianas.

Fortalecido pelo êxito militar no Iraque e na Síria, o movimento proclamou a criação de um «califado» entre os dois países, nas zonas que controla e nas quais é acusado de perseguir as minorias, de realizar execuções sumárias e violações.