Seis meses após a data prevista, 6 e 7 de julho de 2013, o CDS-PP vai finalmente realizar o seu XXV congresso, este fim-de-semana, 11 e 12 de janeiro, em Oliveira do Bairro. Paulo Portas irá suceder a Paulo Portas, mas o vice-primeiro-ministro terá de dar algumas explicações ao partido. A sua demissão «irrevogável» a 2 de julho do ano passado, que acabou por gerar uma crise política no país de vários meses, é uma delas.

O próprio assumiu, numa entrevista recente à «Renascença», que irá falar sobre o assunto: «Não disse até hoje uma palavra sobre essa matéria, suportei todas as coisas que legitimamente foram ditas sobre isso e quando for o congresso, entre muitas outras matérias, alguma coisa direi sobre isso».

No XXV congresso vão estar em debate nove moções globais, uma proposta de alteração aos estatutos e nove moções setoriais.

A moção que também não era «irrevogável»

Paulo Portas, líder e único candidato assumido à liderança, foi obrigado a alterar a sua moção denominada «Responsabilidade e Identidade». Numa primeira versão, a coligação com o PSD às europeias era apenas uma possibilidade, agora é certa e falta apenas conhecer os nomes da lista e o programa conjunto. Fica por decidir uma possível coligação às legislativas de 2015. No entanto, é pouco provável que se conheçam decisões finais sobre a matéria.

Na moção inicial, que devia ter sido apresentada em julho de 2013, o líder centrista também afirmava que o CDS tinha sido «obrigado a governar contra as sua convicções» e a aceitar medidas previstas no OE de 2013. O mesmo não poderá dizer em relação ao OE de 2014.

Mas há ideias que permanecem como, por exemplo, baixar o IRS em 2015 e continuar a dar prioridade à economia num «segundo ciclo» de governo. Aliás, «2014 como ano decisivo e de viragem» serão palavras utilizadas por Portas, a contar os meses, os dias, as horas e os minutos para a saída da troika.

Pires de Lima sem moção

O atual ministro da Economia, Pires de Lima, deixou cair a sua moção ao XXV congresso. Quando a reunião estava marcada para julho e ainda não fazia parte do Governo, Pires de Lima apresentou uma moção intitulada «Dar prioridade à economia».

Em declarações ao semanário «Sol», um dos subscritores da moção considera que «já não é necessário, porque a economia já está a "retomar"». No documento, Pires de lima defendia, entre outras coisas, o aumento do salário mínimo para 500 euros e o fim progressivo dos cortes nos salários de funcionários públicos e pensionistas.

Os críticos

Uma das vozes mais críticas da liderança de Paulo Portas, Ribeiro e Castro, não irá marcar presença no congresso. As palavras dissonantes vão ficar a cargo de Filipe Anacoreta, líder do movimento Alternativa e Responsabilidade (AR), a única moção que poderá ir a votos e disputar a liderança do partido.

Aliás, nos últimos dias, o movimento tem estado ativo nas palavras, com vários elementos a queixarem-se de terem sido afastados das sessões distritais de apresentação da moção do líder. E, por isso, não verem a sua moção discutida.

O movimento vai apresentar o nome de

Nobre Guedes, ex-dirigente e ex-ministro, para presidir à mesa do Conselho Nacional. Mas a candidatura só avança se Pires de Lima, que ocupa o cargo, não quiser continuar com essas funções.

«É um sinal que eu agradeço e que encaro com grande esperança de que isso possa confirmar a expectativa dos militantes numa mudança que achamos que é muito importante que ocorra no CDS neste Congresso», afirmou à Lusa o líder do AR.

Já Nobre Guedes recusa que o AR seja uma tendência de oposição e justifica: «Não é um movimento de oposição, é um movimento da situação».