O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, afirmou esta terça-feira que o seu partido «considera que há condições de estabilidade» governativa, depois de ter sido alcançada com o PSD uma solução «sólida e abrangente».

O até agora ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros fez estas afirmações depois de ter sido recebido, durante cerca de 45 minutos, por Cavaco Silva, no Palácio de Belém, exatamente uma semana depois de ter pedido a sua demissão do Governo ao primeiro-ministro.

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«O CDS empenhou-se conjuntamente com o PSD em encontrar uma solução governativa sólida e abrangente, que significa a vontade dos dois partidos em assegurar essa estabilidade e, portanto, contribuir positivamente para o interesse nacional», afirmou.

«Havendo, portanto, condições de estabilidade e um entendimento sólido e abrangente no quadro da atual maioria, aquilo que nos parece prioritário é evoluir para um ciclo que - sem dispensar evidentemente as obrigações financeiras do país, que são importantes e que não desaparecem de um dia para o outro - valorize a economia, as empresas, a criação de emprego, a concertação social, matérias que são muito importantes nesta segunda fase desta legislatura», argumentou.

O Presidente da República está a receber desde segunda-feira os partidos com assento parlamentar, na sequência do pedido de demissão de Paulo Portas do Governo, apresentado na semana passada.

Numa nota divulgada na terça-feira à tarde, Paulo Portas classificou o seu pedido de «irrevogável», justificando-o com o facto de o primeiro-ministro ter optado por um «caminho de mera continuidade no Ministério das Finanças», ao substituir Vítor Gaspar por Maria Luís Albuquerque, apesar da sua discordância, que referiu ter «atempadamente» comunicado.

Os encontros de Cavaco Silva com os partidos e os parceiros sociais acontecem já depois de as linhas gerais do «entendimento político» entre PSD e CDS-PP terem sido apresentadas pelo primeiro-ministro.

«Nós respeitamos inteiramente a avaliação que o Presidente da República entendeu fazer da atual situação política e, por isso, respeitamos o papel e a função da Presidência da República, o que também me leva a não fazer mais nenhum comentário neste momento», declarou aos jornalistas, escusando-se depois a responder a questões.

Para além de Paulo Portas, integraram a delegação do CDS-PP recebida em Belém o vice-presidente do partido Nuno Melo, o líder parlamentar Nuno Magalhães e os ministros Pedro Mota Soares e Assunção Cristas.