O Presidente português, Cavaco Silva, disse esta quinta-feira que numa visita à Cidade Proibida, em Pequim, se percebe que o «poder isolado do povo não é boa coisa», muito mais quando o Imperador estava fechado no complexo «com 55 mulheres».

Num ambiente descontraído e em passo lento, o chefe de Estado, acompanhado da primeira-dama, visitou hoje a Cidade Proibida, na capital chinesa, um complexo que albergou o poder imperial chinês nas últimas duas dinastias, e depois de considerar não ser positiva a governação afastada do povo, congratulou-se pelo fim desse sistema.

«O poder isolado do povo não é boa coisa, e ainda por cima fechado e com 55 mulheres, portanto, o Imperador tinha dificuldade em resistir. Nos dias de hoje, e bem, o poder está no meio do povo porque o poder serve o povo», disse Cavaco Silva quando instado pelos jornalistas sobre as ilações de poder retiradas da visita.

Para o chefe de Estado, a Cidade Proibida «sugere que o poder está isolado».

«O Imperador estava aqui um pouco fechado do povo. Hoje, felizmente as coisas são diferentes e, por isso, já não temos Imperadores», como reporta a Lusa.

E quando questionado que mesmo junto a ele, o povo entende que o poder está distante, Cavaco Silva disse apenas que o melhor, então, será «convidá-lo a vir (aqui) à Cidade Proibida».

Dezassete anos depois de ter visitado o local pela primeira vez, em 1987, Cavaco Silva recordou que, nessa altura, o passeio foi mais demorado, e conseguiu entrar em todas as salas abertas.

«Atualmente a visita à Cidade Proibida está incluída no cerimonial de receção dos Chefe de Estado. Tive o privilégio, em 1987, de visitá-la sem este aparato, sem estes jornalistas e sem estes acompanhantes. Então, nessa altura, eu entrei em todas as salas", explicou, ao salientar ter sido "uma visita diferente».

Apesar dos limitados espaços que visitou, Cavaco Silva disse ter sido um grande prazer deslocar-se ao complexo, paredes meias com a praça de Tiananmen, hoje engalanada com as bandeiras da China e de Portugal em honra do chefe de Estado.

Dirigindo-se aos guias que acompanharam a visita, Cavaco Silva agradeceu a atenção e terminou a agradecendo em mandarim: «Xié, xié».

A Cidade Proibida é conhecida como o antigo centro político do poder imperial.

Mandada edificar pelo Imperador Yung Lo, o terceiro da dinastia Ming, só ficou concluída 14 anos depois do início dos trabalhos.

Com 720 mil metros quadrados, a Cidade Proibida albergava toda a família do Imperador, empregados, concubinas, herdeiros e eunucos e só em 1925 abriu as portas ao público, já transformada em museu e atração turística.

Visita de Cavaco à China «elevará relações bilaterais a um novo patamar»

O vice-ministro chinês dos Negócios Estrangeiros com o pelouro da Europa, Wang Chao, considerou Portugal «um bom amigo e bom parceiro» da China, manifestando-se convicto que a visita do Presidente português «elevará a um novo patamar» as relações bilaterais.

«Tenho a certeza que a visita, além de constituir o clímax da celebração do 35.º aniversário das nossas relações diplomáticas, elevará a um novo patamar a parceria estratégica global China-Portugal», disse Wang Chao, respondendo por escrito a perguntas da agência Lusa em Pequim.

«Temos plena confiança e grande expectativa quanto ao futuro das nossas relações bilaterais», acrescentou.

O Presidente português, que vai encontrar-se hoje com o homólogo chinês, Xi Jinping, iniciou na segunda-feira uma visita de uma semana à China. É a primeira de um chefe de Estado português e coincide com o 35ª aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países.

O vice-MNE chinês afirmou que desde 1979 as relações bilaterais «mantiveram um bom e firme crescimento» e «progrediram ainda mais» após o estabelecimento da parceria estratégica global em 2005.