O primeiro-ministro britânico anunciou, através da sua conta do Twitter, novos membros para o seu governo, numa enorme remodelação que tem em vista as eleições de 2015.

A renomeação tem a intenção de «formar uma equipa que continue a entregar uma reforma económica a longo-prazo e assegure um futuro melhor para todos», escreveu Cameron, na rede social.

Alguns media britânicos, como o «Independent», estão a classificar a remodelação do Governo como uma estratégia para deixar o Executivo com uma aparência mais «eurocética», tendo em conta que Cameron não gostou da escolha de Jean-Claude Juncker para liderar a Comissão Europeia.

O primeiro nome a ser divulgado foi Philip Hammond designado como novo ministro dos Negócios Estrangeiros. Vai ocupar o lugar deixado vago ontem por William Hague, que seguirá para a chefia da Casa dos Comuns, mantendo-se como primeiro ministro de Estado.

A escolha de Hammond, aliás, é desde logo uma confirmação do aspeto mais «eurocético» deste "novo" Governo. O ministro já afirmou que vai considerar a saída do Reino Unido da União Europeia, caso Cameron não consiga um bom acordo com a UE, em relação à participação do país na organização, antes do referendo de 2017 que vai decidir a continuidade do país na União.

William Hage, por sua vez, manteve-se sempre ao lado de Cameron em relação a esta questão, e afirmou que apoiaria um voto de manutenção na UE. No seu lugar ficará o, até agora, ministro de Estado para os Negócios e Energia, Michael Fallon.

Outra nomeação que poderá ter chegado como uma surpresa será a escolha de Mark Harper para ministro de Estado do departamento do Trabalho e Pensões. Harper está, assim, de regresso ao Governo, depois de ter abandonado o cargo de ministro da Imigração, em fevereiro, quando se descobriu que tinha uma imigrante ilegal como sua empregada doméstica, apesar de manter uma postura anti-imigração.

Na pasta da educação, Cameron decidiu substituir Michael Gove, que passa a novo líder da bancada parlamentar, acumulando responsabilidades na campanha e nas relações com os media. Gove era visto como um reformista radical, e protagonizou algumas mudanças que não foram bem recebidas pelos sindicatos da educação.

Nicky Morgan será a nova secretária da Educação, cargo que acumula com o ministério das Mulheres e Igualdade. A escolha de Morgan é vista como um sinal da vontade de Cameron em abrandar as reformas e formar uma maior ligação com os sindicatos de professores, que ameaçam com mais greves de contestação às medidas do anterior responsável.

Mais mulheres no novo governo

Uma das promessas de Cameron quando tomou posse foi alargar o número de mulheres à frente do seu Governo para um terço do total. Agora, a menos de um ano das eleições, esta reforma veio trazer o cumprimento da medida de campanha. Segundo o «The Guardian», o número de mulheres na bancada parlamentar sobe de 14 para 26%.

Entre outras escolhas destacam-se Liz Truss, que ficará com a pasta do Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais, e, a já mencionada, Nicky Morgan, para a pasta da Educação.

Lord Hill é o novo comissário europeu

Entre nomeações, David Cameron anunciou, ainda, que Lord Hill será o novo Comissário Europeu do Reino Unido.

Hill é um conhecido apoiante da visão de Cameron para um «nova UE», onde a participação do Reino Unido será renegociada, e já admitiu que apoiará um voto de manutenção na União.

«Em cinco anos, por altura das próximas eleições europeias, espero ser capaz de dizer aos cidadãos europeus - incluindo britânicos - que a Comissão Europeia enfrentou os seus problemas e mudou a EU para melhor», disse, em comunicado, segundo a agência Reuters.

Em mais de 20 nomes «trocados» por David Cameron, vale destacar, também, a saída do «titã da política» Ken Clarke, cujas «opiniões políticas «irão fazer falta», segundo Cameron, e a designação de Michael Fallon para novo ministro de Estado para a Defesa.