Várias personalidades da sociedade civil divulgaram um manifesto que assinaram e que é dirigido aos partidos do «arco da governação». O documento, divulgado pelo jornal Expresso, apela a um entendimento entre PS, CDS, E PSD para que seja alcançado o acordo exigido por Cavaco.

Segundo o jornal, o texto começou a ser elaborado ontem e ainda está a recolher assinaturas. Entre os signatários estão nomes como Daniel Bessa, Francisco van Zeller, Rui Horta e Costa ou Alexandre Relvas.

No documento, os responsáveis reconhecem que há «um rasto de sofrimento» provocado pelas medidas de austeridade adotadas e deixam um apelo aos três maiores partidos políticos: «Entendam-se, nos termos que só os próprios determinarão, condicionados, para que o exercício cumpra os objetivos pretendidos, ao acordo das entidades que hoje nos financiam, enquanto não conseguirmos dispor da autonomia que só poderá ser assegurada por um regresso pleno aos mercados financeiros».

Além disso, os signatários sublinham que «foram conseguidos alguns resultados positivos (por exemplo, nas contas externas)», mas que «há objetivos que só foram parcialmente alcançados (sobretudo em matéria de finanças públicas e de reformas estruturais)».

Também João Talone, José Manuel Morais Cabral, António Palha, António Ramalho, Duarte Calheiros, Frederico Lima Mayer, João Melo Franco, João Soares da Silva, Nuno Fernandes Thomaz, Nuno Galvão Teles, Paulo Sande, Salvador de Mello e Vasco de Mello assinaram o manifesto.

O documento surge ao quarto dia de negociações entre PSD, PS e CDS-PP com vista a um acordo que responda ao apelo de Cavaco Silva, que pediu há uma semana um compromisso de «salvação nacional» entre os três partidos, que permita o cumprimento das metas orçamentais de curto prazo e que garanta também a estabilidade e a sustentabilidade das contas públicas no médio prazo.



Texto do manifesto:

«O Presidente da República convocou o CDS, o PS e o PSD a um compromisso de «salvação nacional». Decorridos mais de dois anos sobre a assinatura do «Memorando», foram conseguidos alguns resultados positivos (por exemplo, nas contas externas), há objetivos que só foram parcialmente alcançados (sobretudo em matéria de finanças públicas e de reformas estruturais), as medidas adotadas provocaram, como não poderiam deixar de provocar, um rasto de sofrimento (de que o desemprego constitui o exemplo maior). O tempo não é de recuar mas de avançar, de forma concertada, cumprindo a nossa parte, enquanto a União Europeia não cumpre, também ela, a sua própria parte no processo de refundação da Área do Euro.

O Presidente da República estipulou três condições, para que esse avanço seja possível:

* um compromisso de curto prazo, que permita dar por cumpridos, no essencial, os objetivos do Memorando, sobretudo em matéria de finanças públicas;

* um compromisso de médio prazo, capaz de oferecer às finanças públicas portuguesas a trajetória de sustentabilidade sem a qual não haverá desenvolvimento possível;

* a antecipação das eleições legislativas em cerca de um ano, como forma de equilibrar os ganhos e perdas, presentes e futuros, das três forças políticas chamadas ao compromisso.

Ao tomar esta iniciativa, o Presidente da República colocou-se em linha com os anseios mais profundos manifestados pela população portuguesa. Sabemos o risco que corre: o de que CDS, PS e PSD não cheguem a acordo, em prejuízo de todos nós. Por isso, só por isso, nos permitimos este apelo: entendam-se, nos termos que só os próprios determinarão, condicionados, para que o exercício cumpra os objetivos pretendidos, ao acordo das entidades que hoje nos financiam, enquanto não conseguirmos dispor da autonomia que só poderá ser assegurada por um regresso pleno aos mercados financeiros».