O líder comunista anunciou este domingo, no final da festa do Avante, o lançamento de uma ação nacional, visando uma «política e um Governo patrióticos e de esquerda», assente na renegociação da dívida, eventual abandono da moeda única e outros instrumentos e ferramentas comunitários.

«"A Força Do Povo, Por Um Portugal Com Futuro - Uma Política E Um Governo Patrióticos E De Esquerda" é o lema de uma ação de afirmação política que o PCP lançará já a partir de setembro», declarou Jerónimo de Sousa, celebrando ainda a inscrição de mais 1.100 camaradas durante o último ano.

«O PCP assume as suas responsabilidades de grande partido da soberania e da independência nacionais, anunciando um programa integrado de ação política para renegociar a dívida, preparar o país para a saída do euro e retomar o controlo público do setor financeiro», assegurou.

A Iniciativa de abertura vai realizar-se em 28 de setembro, precisamente o dia das eleições primárias no PS. «A apresentação na Assembleia da República de um projeto de resolução que estabeleça um programa para resgatar o país da dependência e declínio, visando fixar calendários, condições e opções da política nacional», bem como «o desenvolvimento pelo Estado português de propostas para a realização de uma conferência intergovernamental para a revogação e suspensão imediata do Tratado Orçamental, a revogação da União Bancária, extinção do Pacto de Estabilidade e criação de um programa de apoio aos países cuja permanência no euro se tenha revelado insustentável» são outras propostas comunistas.

O secretário-geral do PCP citou também o o «ruir do império Espírito Santo» como sinal da «falência da política de direita» protagonizada por diversos governos de PS, PSD e CDS-PP. «A falência do GES não é mais uma falência qualquer de um qualquer grupo empresarial. É a demonstração da falência da recuperação capitalista, elemento nuclear e símbolo da política de direita. O ruir do império Espírito Santo exibe a falência da própria política de direita», afirmou Jerónimo de Sousa, no Seixal.

O dirigente comunista disse que os portugueses podem testemunhar «na multiplicação dos escândalos e das sucessivas fraudes - do BPN, do BCP, do BPP e, agora com mais evidência, na implosão do império da família Espírito Santo, do seu grupo e do seu banco» a promiscuidade entre os denominados partidos do «arco da governação» e o poder económico, acusando a família Espírito Santo de ter constituído o seu grupo empresarial «debaixo da asa protetora dos sucessivos governos do PS, PSD e CDS».

«Houve um banqueiro que dizia (que o povo) "ai, aguenta, aguenta" porque ele tinha a consciência de que não eram eles que aguentavam. Era o povo, os trabalhadores e os reformados porque eles tinham as costas quentes por este Governo e outros», insistiu Jerónimo de Sousa.

PCP declarou-se ainda contra as «guerras e provocações imperialistas» na Ucrânia e na Palestina, entre outros conflitos mundiais, defendendo que, ao contrário da narrativa ocidental por ocasião do fim do regime soviético, a História não morreu.

«As guerras e provocações imperialistas sucedem-se a um ritmo infernal. A retórica belicista propaga-se. Intensifica-se a corrida ao armamento e reforçam-se alianças militares agressivas, como a NATO», lamentou o secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa.