O secretário-geral do PCP anunciou este sábado que o partido vai apresentar uma iniciativa no parlamento para ouvir de urgência a ministra das Finanças sobre o Novo Banco, no qual considerou haver «indícios de uma grande negociata».

Questionada, a ministra das Finanças em silêncio sobre saída de Vítor Bento.

«O conhecimento de que a administração do Novo Banco apresentou a sua demissão, devido a discordâncias com o governador do Banco de Portugal, que insiste em vender rapidamente e em força o Novo Banco, e também pelo facto de Vítor Bento alegar ter encontrado uma situação bem diferente, confirma que o que está em curso é uma operação que tem todos os indícios de uma grande negociata para sustentar a continuação da especulação financeira, com grandes prejuízos públicos, e à qual o PCP manifesta a sua oposição», afirmou.

O líder comunista falava num debate, em Lisboa, sobre os 35 anos do Serviço Nacional de Saúde (SNS), considerando-o também um «importante momento para denunciar todas as tentativas da sua destruição e entrega aos grandes grupos privados de prestação de cuidados, transformando assim este direito num grande negócio para os grupos económicos», algo que «demonstra a captura do poder politico pelo poder económico e financeiro».

«Com estes novos elementos, o PCP irá propor a ida da ministra das Finanças à Assembleia da República para que o Governo clarifique qual a situação criada com a demissão da administração do Novo Banco e saber, afinal, onde se encontra o poder de decisão destes processos - estamos a falar do império da família Espírito Santo, para onde já foram 4.400 milhões de euros em recursos públicos», declarou Jerónimo de Sousa, como cita a Lusa.

O secretário-geral comunista assinalou ainda a importância redobrada da constituição de uma comissão parlamentar de inquérito sobre o processo de resolução do Banco Espírito Santo e criação do Novo Banco, proposta recentemente pelo PCP e que vai ser votada na Assembleia da República na sexta-feira.

A equipa de gestão do Novo Banco liderada por Vítor Bento confirmou, em comunicado, que durante a semana apresentou ao Fundo de Resolução e ao Banco de Portugal a intenção de renunciar aos cargos desempenhados na administração da entidade.

Jerónimo de Sousa falou de Espírito Santo Saúde, «José de Mello Saúde, HPP, Lusíadas e Trofa», e da possibilidade de, «caso se confirme a venda» da Espírito Santo Saúde ¿ao grupo Ángeles ou AMIL, passar o controlo destas empresas para mãos de investidores estrangeiros, mais de 60 unidades de saúde, entre as quais grandes hospitais e quatro Parcerias Público-Privadas (PPP)".

«Estes grandes grupos controlam 83% do chamado mercado da saúde, qualquer coisa como 1500 milhões de euros por ano, mais de metade das unidades de saúde em Portugal, das quais 23 são hospitais», condenou, adiantando ser «o momento para a acabar com as PPP e denunciar os acordos da ADSE com estes grupos».