O secretário-geral do PCP elogiou esta sexta-feira, durante o debate do «estado da nação», as diversas formas de luta «dos trabalhadores e do povo português» que fizeram o Governo chegar «derrotado e ultrapassado» ao debate sobre o «estado da Nação», no parlamento.

«Apesar de terem um Governo, uma maioria, um Presidente, o capital amigo e motivador, nacional e estrangeiro, os centros de decisão europeus, a comunicação social e um exército de comentadores, como foi possível estarmos hoje perante governo derrotado?», afirmou Jerónimo de Sousa.

O líder comunista deu em seguida a sua explicação, argumentando que o executivo da maioria PSD/CDS-PP não contou «com os trabalhadores e o povo português, a sua luta, o seu descontentamento».

«A coragem foi desses portugueses, num quadro de chantagem, num quadro de desemprego, de aumento da exploração», elogiou, após falar de «demissões concretizadas e tentativas de deserção», referindo-se aos episódios protagonizados pelo anterior responsável pelas Finanças, Vítor Gaspar, e pelo líder democrata-cristão, Paulo Portas.

O primeiro-ministro respondeu que «uma parte do parlamento quer convencer os portugueses de que a redução da despesa é feita porque» o Governo deseja «impor sacrifícios às pessoas».

«Viveremos à medida das nossas possibilidades, mas estamos a fazer tudo para que essas possibilidades aumentem», disse Passos Coelho, defendendo que «as causas profundas da crise estão naquilo que obrigou Portugal a ter o memorando e não no memorando» e a ajuda externa aconteceu porque Portugal não se soube governar.

Para o líder do executivo, há «responsabilidade de muita gente» e «nenhuma das formações (políticas) está isenta de responsabilidades», acrescentando que o acordo com a troika, não sendo «um milagre, também não é uma agressão».

«O Presidente fez uma proposta para salvar a política de direita e não o país», criticou ainda Jerónimo de Sousa sobre o apelo ao entendimento entre PSD, PS e CDS-PP por parte de Cavaco Silva, classificando os próximos cortes na despesa anunciados (4,7 mil milhões de euros) como «um programa de terrorismo social» de um Governo «derrotado e ultrapassado».