O secretário-geral do PCP afirmou esta segunda-feira que o PS está, para já, fora das opções de diálogo «por respeito» aos socialistas, sendo o BE uma das forças políticas a considerar na série de encontros promovidos pelos comunistas.

«É evidente que, nesta fase da situação interna do PS e por respeito pelo próprio PS, não queríamos contribuir para qualquer elemento de perturbação, que poderia ser mal entendido. Não está na nossa agenda esse pedido de encontro. Naturalmente, mais à frente, poderemos avaliar», disse Jerónimo de Sousa.

O líder comunista falava à saída de uma reunião com responsáveis do Partido Ecologista Os Verdes (PEV) para analisar os resultados eleitorais das europeias de 25 de maio e a atual situação política em Portugal de «degradação económica e social», um dos primeiros encontros com «forças, sectores políticos e sociais e outras entidades».

«Estamos a considerar, designadamente, o BE, no quadro normal das relações que temos tido», afirmou, quando questionado sobre outros partidos com os quais o PCP pretende dialogar.

Jerónimo de Sousa defendeu a «perspetiva de alargar a convergência assente numa ideia de rutura e mudança para uma política alternativa de que o país precisa».

«Os portugueses têm um sentimento muito forte de que assim não vamos lá, com esta política de alternância. É preciso, de facto, uma mudança provocando uma rutura com este caminho para o desastre», continuou.

A deputada ecologista Heloísa Apolónia salientou o «grande resultado» da Coligação Democrática Unitária (CDU), que integra ainda a Associação Intervenção Democrática, e «a profunda derrota dos partidos do Governo, da direita, dos partidos da troika todos juntos».

«Temos um Governo que nos desgasta sobremaneira, que desgasta as instituições. Isto que se está a passar em relação ao Tribunal Constitucional é uma coisa absolutamente inaceitável e que demonstra, no fundo, o desnorte com que este Governo está, neste momento», afirmou.

Sobre a decisão relativa a repetição da coligação para as próximas legislativas, a parlamentar do PEV remeteu-a para «o ano que vem», em sede de Conselho Nacional de Os Verdes.

«Temos uma preocupação com a abstenção. É preciso também seduzir as pessoas que se abstiveram nestas eleições. Chamá-las à responsabilidade que têm para ter voz para a alternativa neste país», cita a Lusa.