O PCP insistiu na necessidade esclarecer a situação do BE, nomeadamente os ativos, passivos e património do Grupo Espírito Santos, sublinhando que se pode estar perante uma «nova forma de fazer o que foi feito no BPN».

«Muitas coisas é preciso esclarecer, inclusive os ativos e os passivos, os recursos, o património do Grupo Espírito Santo porque podemos estar perante uma nova forma de fazer aquilo que foi feito com o BPN, com a nacionalização do BPN, é ficar para o Estado, para os contribuintes, para os portugueses os custos e ficar o Grupo com aquilo que apesar de tudo conseguirem fazer sobreviver do desastre financeiro e económico que constitui todo este processo», afirmou Agostinho Lopes, membro do comité central do PCP.

Falando numa conferência de imprensa realizada na sede do partido, Agostinho Lopes advogou ainda a necessidade de conhecer as «azões da intervenção tardia do próprio Governo».

Por isso, acrescentou, o PCP já anunciou a criação de uma comissão de inquérito para apurar todo o processo, inclusive as responsabilidades e o papel do executivo de maioria PSD/CDS-PP e das entidades reguladores, nomeadamente do Banco de Portugal.

Questionado se o PCP apoia a proposta do PS para a convocação com «carácter de urgência» da comissão permanente da Assembleia da República para ouvir a ministra das Finanças sobre a solução encontrada para o BES, o dirigente comunista afirmou que tudo o que for feito no sentido de esclarecer e conhecer a situação «tem interesse».

Agostinho Lopes não colocou ainda de parte a possibilidade de se estar perante situações do foro criminal em todo o processo do BES.

«Que estamos perante perante ilegalidades parece clarinho como a água e tudo indica que, em muitos casos, estamos perante atitudes do foro criminal que serão apuradas», referiu.

O Banco de Portugal anunciou no domingo a injeção de 4,9 mil milhões de euros no BES para o capitalizar, através do Fundo de Resolução bancário, e o fim desta instituição, com a separação do banco fundado pela família Espírito Santo entre um «bad bank» («banco mau»), em que ficam os ativos tóxicos, e o Novo Banco, que reúne os ativos não tóxicos, como os depósitos e que receberá a injeção de 4,9 mil milhões de euros.

O Novo Banco, que será liderado por Vítor Bento, que sucedeu ao líder histórico Ricardo Salgado na presidência do BES, fica com as agências e trabalhadores do BES, sendo que na segunda-feira os balcões abrem ainda com a imagem do BES e os clientes encontrarão lá as caras habituais e os mesmos serviços.

No futuro, com a entrada de investidores privados no capital deste Novo Banco, que para já fica a ser totalmente detido pelo Fundo de Resolução, poderá haver mexidas na instituição, com saída de trabalhadores e fecho de agências.

Na conferência de imprensa, Agostinho Lopes insistiu que a solução apresentada no domingo para o BES representa «uma nova canalização de recursos públicos para a banca privada» e «um rotundo desmentido às sucessivas e solenes declarações» das últimas senas do primeiro-ministro, da ministra das Finanças e do governador do Banco de Portugal do não recursos a fundos públicos para a resolução do «colossal buraco económico e financeiro do BES/GES».

«O que a situação que se desenvolveu no BES/GES veio confirmar é que não há razões para confiar neste Governo nem na atuação do Banco de Portugal», disse.