O secretário-geral do PCP responsabilizou hoje o Presidente da República pelo «arrastamento» da crise política para «salvar» um Governo «ilegítimo», reiterou a necessidade de eleições antecipadas e voltou a incitar o PS a abraçar uma «política de esquerda».

«Após uma intervenção que só acrescentou crise à crise, o Presidente assume, mais do que antes, a inteira responsabilidade de todas as consequências do prosseguimento da ação do Governo e do rumo para o abismo económico e social», afirmou Jerónimo de Sousa, na sede comunista, em Lisboa.

Para o líder do PCP, «não há remodelações que disfarcem a falta de legitimidade de uma maioria e de um Governo que são já passado» e «não são aceitáveis mais manobras, chantagens e incitamentos ao medo».

«O PCP tem relações com o PS. Muitas vezes dizem que nós atacamos muito o PS. Não, eu acho que é importante, até para o povo português, clarificar esta questão. Estar a discutir lugares num governo futuro, fugindo à questão central que o povo português reclama que é um Governo para quê, para governar com quem e para quem?», continuou, sobre a hipótese de um eventual entendimento com os socialistas.

Jerónimo de Sousa defendeu «uma solução alternativa e governativa de esquerda para executar uma política concreta», além da «ampliação e fortalecimento da luta de massas, com todas as expressões que ela possa vir a assumir».

«O país precisa do PCP e da CDU, dos seus valores de trabalho, honestidade e competência, da sua entrega e dedicação aos interesses e aspirações dos trabalhadores e do povo, que tem no reforço da CDU, a começar nas eleições para autarquias locais, um importante momento para afirmar a sua determinação», disse.

As opções preconizadas pelo PCP passam por rejeitar o memorando de entendimento com a troika, renegociar a dívida com os credores, defender e recuperar a produção nacional, revalorizar de salários e pensões de reforma, reorientar a política fiscal, com aumento da tributação ao «grande capital», e requalificar os serviços públicos.