O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, desafiou o PS a sentar-se «à mesa da troika» ao lado do Governo PSD/CDS-PP, afirmando que não será fácil mas que «pode ser bom» para o país.

«Se já é difícil entre gente que está no Governo e não parece fácil, com gente que não quer vir para o governo, a não ser que tenha eleições, mas então que seja sem isso, que consigamos pôr essas divergências de lado como os partidos desta coligação têm feito», afirmou.

O primeiro-ministro respondia a um pedido de esclarecimento do líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, no debate do «estado da Nação», na Assembleia da República.

O deputado social-democrata defendeu que o apelo ao compromisso «tem de ser balizado na capacidade do Estado português e instituições assumirem a palavra dada».

O líder parlamentar do PSD lembrou ainda que os valores do último pedido de ajuda, em 1983, são muito diferentes. «O esforço, desta vez, é 15 vezes maior do que em 1983 e foi difícil», apesar das arma que o país tinha: a desvalorização da nossa moeda. Além de que, atualmente, existe «toda uma Europa em crise».

Em seguida, foi a vez do deputado Nuno Magalhães, CDS-PP, questionar o primeiro-ministro.

Mas o líder parlamentar dos centristas, tal como Passos Coelho, recordou os sinais positivos da economia nacional dos últimos meses e que, diz, provam que «com politicas de rigor orçamental, a cumprir com aquilo que nos comprometemos de pagar a quem devemos, também podemos estimular, não artificialmente, como outrora, mas realmente a procura interna».

Nuno Magalhães também não esqueceu a proposta de executivo apresentada por Pedro Passos Coelho, após a demissão de Paulo Portas.

«A maioria ultrapassou os seus problemas. E fê-lo com celeridade e institucionalidade... Procurou uma solução politica solida, mais que uma dança de politica de cadeiras». E ressalvou, «o CDS confia na solução apresentado».

Quando usou a expressão da dança das cadeiras, os deputados da esquerda começaram a rir. «A situação do país, pelos vistos, merece a risota dos partidos mais à esquerda. Ficaram hoje os portugueses a saber e a medir o sentido de responsabilidade da esquerda mais à esquerda», respondeu.

Sinal de «boa-fé»

Durante a resposta a Nuno Magalhães, que lhe pediu apenas um comentário, à proposta de Cavaco Silva, o primeiro-ministro anunciou que, como sinal de «boa-fé» e «empenhamento» num compromisso com o PS, não fará avançar para o parlamento medidas do programa de médio prazo acordado com a troika, manifestando abertura para «cumprir noutros termos».

Passos Coelho confirmou ainda que o Governo solicitou que a oitava e a nona avaliação do programa da troika possam ocorrer em simultâneo em setembro, e que o PS possa envolver-se nas negociações, que passam por uma reunião com os chefes de missão.

Esse encontro, a realizar «o mais rápido possível», possivelmente na próxima semana, deverá determinar «o chão com que é possível prosseguir» e «satisfazer um dos pedidos do senhor Presidente da República», de saber quais as condições para encerrar com êxito o programa de assistência económica e financeira.

A dada altura, o primeiro-ministro abordou a demissão de Paulo Portas de forma «discreta» e disse «tenho uma posição de humildade, o que se passou não devia ter acontecido e temos agora, aos portugueses, de lhes demonstrar que isto não voltará a acontecer».