A comunicação começou com treze minutos de atraso, mas Pedro Passos Coelho falou ao país para explicar que não aceita a demissão de Paulo Portas e não se demite porque não abandona o país.

«O país foi surpreendido com o pedido de demissão de Paulo Portas e eu próprio recebi a notícia com supresa», começou por dizer o primeiro-ministro, revelando que quando propôs Maria Luís Albuquerque para ministra das Finanças, assim como os secretários de Estado, incluindo um elemento do CDS, nada faria prever «os acontecimentos verdadeiramente impensáveis» desta terça-feira.

Perante a «ameaça de instabilidade política» e considerando que «dois anos de sacrifícios» não podem ser «deitados por terra», considera que «seria precipitado aceitar o pedido de demissão». «Não pedi a exoneração do ministro de estado», afirma o primeiro-ministro, rejeitando a vontade de Paulo Portas.

Mas vai mais longe e assegura que também não sai: «Não me demito. não abandono o meu país. Abraço o serviço ao meu país com a mesma dedicação e esperança. Vivemos num tempo em que não nos podemos assustar perante as adversidades. Como é que eu me poderia assustar?»

«Numa democracia madura, um Governo de coligação não pode ser posto em causa. É necessário ter prudência, cabeça fria e sentido de Estado acima de tudo o resto. As dificuldades ainda não terminaram», frisou, garantindo: «Comigo o país não escolherá um colapso político, econômico e social»

Passos diz que é necessário «colher frutos» pelo trabalho feito em dois anos e o primeiro-ministro «representa a esperança de todos os portugueses de fechar o programa de ajustamento e construir uma sociedade mais forte e mais justa».

No entanto, a solução não depende apenas da vontade do primeiro-ministro, pelo que vai encetar contactos com o CDS para tentar encontrar uma solução para o Governo. «Temos de esclarecer o pedido de demissão, com clareza», vincou.

O primeiro-ministro mantém-se no lugar e conta estar esta quarta-feira num encontro de com chefes de Estado em Berlim, mas nas próximas horas ira também procurar «junto do CDS clarificar a situação», acrescenta, reconhecendo que «um Governo de coligação é um compromisso permanente».

«O primeiro-ministro tem de ser um baluarte da confiança, um referencial de persistência e empenho democrático. O primeiro-ministro tem de assegurar responsabilidade e energia necessária contra as adversidades», asseverou, sublinhando: «Os portugueses podem contar comigo».

«O que está em causa não são incertezas ou anseios dos políticos, mas o interesse e o bem da nossa comunidade política. Todos desejamos o regresso à tranquilidade e confiança. Farei tudo para que assim seja».