O primeiro-ministro disse esta terça-feira que se assinasse o manifesto dado a conhecer para a reestruturação da dívida portuguesa estaria a pôr em causa o cumprimento das metas orçamentais a que o país está obrigado e a enviar a «mensagem errada».

«Se eu hoje quisesse por em causa o financiamento do país e destas políticas públicas, subscreveria o manifesto que hoje foi dado a conhecer e nessa medida tinha a certeza de estar a enviar a mensagem errada a todos aqueles que esperam que Portugal cumpra as suas realizações», disse Pedro Passos Coelho numa intervenção em Lisboa, na cerimónia de inauguração das novas instalações da Polícia Judiciária.

O governante falava no dia em que o jornal «Público» dá conta de um manifesto, assinado por cerca de 70 figuras da política de esquerda e de direita, que apela à reestruturação da dívida pública do país.

Conheça aqui o manifesto.

Pedro Passos Coelho sublinha que «nem sempre» o que se toma por ideal se pode concretizar da forma «mais fácil ou óbvia» e «muitas vezes são os caminhos mais difíceis" os que garantem "caminhos mais duradouros».

«Frequentemente são os caminhos mais fáceis os que nos levam a situações de maior insustentabilidade», disse ainda o primeiro-ministro num relato da Lusa.

Admitindo ter tido conhecimento do manifesto durante a leitura matinal da imprensa, Passos Coelho diz que se questionou se o mesmo não seria um «reflexo da atitude» de «negar a realidade».

«Aqueles que continuamente querem conciliar o inconciliável e realizar o irrealizável, que é como quem diz, fazer tudo o que por vezes achariam desejável sem cuidar das condições necessárias para que essa obra pudesse surgir, acabam por não ser justos nem oferecer segurança aos seus cidadãos e muitas vezes contribuem com isso para pôr em causa os fundamentos do Estado social», advogou o primeiro-ministro.

O manifesto é assinado por diferentes personalidades da política de esquerda e de direita, casos dos ex-ministros das Finanças Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix, João Cravinho, Francisco Louçã, António Saraiva, Gomes Canotilho, Sampaio da Nóvoa, além de empresários e economistas, e pretende ser «um apelo de cidadãos para cidadãos».

Segundo o «Público», o conteúdo do manifesto é divulgado na edição de quarta-feira.