Passos Coelho garantiu, esta quinta-feira, a continuidade do apoio do CDS-PP ao Governo, apesar da saída do líder do partido, Paulo Portas, que apresentou a demissão na terça-feira.

Depois de três reuniões entre o primeiro-ministro e o ministro demissionário, Passos Coelho esteve reunido cerca de uma hora com o chefe de Estado para lhe dar a conhecer a proposta (em aberto) que sustenta a coligação.

O primeiro-ministro surgiu, sem aviso prévio, junto dos jornalistas que o aguardavam no Palácio de Belém, para adiantar alguns pormenores relativos à última reunião com o ministro demissionário e líder do CDS.

Passos Coelho disse que a decisão de Paulo Portas em abandonar o Governo «é pessoal» e que «não envolve o apoio do CDS-PP ao Governo».

O primeiro-ministro contou que «foi possível esclarecer a questão política da demissão» e que lhe foi transmitido por Paulo Portas, «num quadro que terá de ser aprofundado» entre as duas partes, que «será encontrada uma forma de garantir o apoio político do CDS-PP ao Governo».

«Nesse sentido, comprometi-me com Paulo Portas a encontrar a melhor fórmula de garantir, tão rapidamente quanto possível perante o país, a solução para esta situação», revelou.

«Da minha parte devo dizer ao país que, como primeiro-ministro, tudo farei para garantir as condições que são necessárias para que o Governo prossiga o seu trabalho em condições, como é obrigatório e patriótico, para conseguir cumprir o programa de assistência económica e financeira, garantir o regresso de Portugal a mercados, ainda de que de forma apoiada, como todos esperamos, e conseguir que os esforços e sacrifícios realizados até hoje pelos portugueses possam ser premiados», afirmou, ainda, numa declaração sem direito a perguntas.

Passos Coelho observou, também, que compete a Cavaco Silva fazer uma avaliação sobre a crise governativa e uma nova solução que apoie o executivo PSD/CDS-PP.

«Como é sabido existe também da parte do senhor presidente da República uma avaliação desta situação, que competirá ao senhor presidente da República, evidentemente, pronunciar e não a mim», declarou o chefe do Governo.

Desde a noite de quarta-feira, Pedro Passos Coelho e Paulo Portas já estiveram reunidos por três vezes para tentar ultrapassar a crise no Governo.

Alterações na composição do Executivo poderão fazer parte do acordo de princípio, ainda que o ministro da Presidência, Marques Guedes, tenha recusado nesta quinta-feira, no final do Conselho de Ministros, antecipar o cenário, remetendo a resposta para «os astros».

Recorde-se que chegou a ser noticiado que Portas poderia ficar como vice-primeiro-ministro com a área da Economia.