Passos Coelho diz que falar de eleições para daqui a um ano é criar incerteza já e isso pode perturbar o regresso aos mercados. É a primeira vez que Passos critica o Presidente da República por defender eleições em 2014. No discurso do início do conselho nacional, o presidente do PSD disse querer um acordo com PS e CDS, mas com conteúdo e não só para ficar bem na fotografia.

Ao contrário do que é habitual o PSD abriu as portas do conselho nacional ao país que pôde assim acompanhar o discurso inicial de Pedro Passos Coelho, que deixou críticas ao Presidente da República. O presidente do PSD considerou que «não há coisa mais incerta, por definição, do que eleições» e que «quando, a um ano de distância, se cria incerteza com o que pode resultar de eleições, essa incerteza é antecipada para hoje».

«Se não tivermos cuidado a lidar esse tópico específico, nós podemos estar a criar condições para que a incerteza acabe por comprometer os esforços que queremos realizar de regressar a mercado com confiança dos investidores», sustentou, apontando este aspeto como «essencial».

Na sua intervenção, Passos Coelho acentuou que o PSD está empenhado no acordo tripartido de médio prazo proposto pelo Presidente da República e que esse é o seu desejo, acrescentando: «Não tenho aqui nenhum juízo de intenção de que haja alguém que esteja menos empenhado do que nós. Admito que todos estamos interessados neste resultado. Veremos se ele alcançado».

Passos Coelho diz não estranhar que o PSD profundo não desconfie do desafio do Presidente da República para um entendimento com PS e CDS para o futuro e lembra as posições do partido no passado nomeadamente de Ferreira Leite. Passos Coelho mostra empenho num acordo de salvação nacional mas que não seja para inglês ver.

«Queremos um compromisso que tenha conteúdo, não fazer conta para ficar bem no retrato», disse. Passos Coelho afirmou que o PSD pretende «um compromisso para futuro», mas «que tenha conteúdo» e não um documento de «fazer de conta» para «salvar a face a ninguém» ou para «cada um ficar bem no retrato».

«Eu quero acreditar que a experiência traumática por que passámos nos recomenda a todos um esforço grande para aproximarmos as nossas visões e chegarmos a um resultado que seja útil para país. É o que eu desejo», acrescentou.

Na sua intervenção, Passos Coelho acentuou que o PSD está empenhado no acordo tripartido de médio prazo proposto pelo Presidente da República e que esse é o seu desejo, acrescentando: «Não tenho aqui nenhum juízo de intenção de que haja alguém que esteja menos empenhado do que nós. Admito que todos estamos interessados neste resultado. Veremos se ele alcançado».

Enquanto António José seguro sofre pressões internas no PS e Mário Soares ameaça com cisão em caso de acordo, Passos diz que no PSD ninguém tem medo.

Passos quer pôr fim à incerteza rapidamente e usa o exemplo da Grécia para mostrar o que pode acontecer em Portugal com um 2º resgate.