O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou neste domingo em Castelo Branco que um «entendimento conjunto» com a oposição daria ao exterior um sinal «muitíssimo melhor» do país.

«Nós [Governo e oposição] podemos ter desacordo em muitas matérias, mas se todos conseguirmos, a partir da realidade que tivermos, fazer concessões para podermos ter um entendimento conjunto, eu estou convencido que a perceção do exterior que poderia existir sobre Portugal seria muitíssimo melhor», afirmou o governante que esteve em Castelo Branco durante a cerimónia comemorativa dos 500 anos da Santa Casa da Misericórdia local.

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Pedro Passos Coelho mostrou-se igualmente convicto de que «a perceção que os portugueses teriam sobre toda a classe política, sobre todos os partidos e sobre o sistema político seria muito melhor, também».

Consciente das diferenças políticas, o primeiro-ministro defendeu a ideia de que o entendimento não colocaria em causa futuras campanhas eleitorais.

«Os portugueses sabem distinguir muito bem as coisas» e «não tenho dúvidas que, no momento em que as pessoas fossem chamadas a decidir, fariam as suas escolhas para futuro», apontou.

Para o primeiro-ministro, entre as vantagens do entendimento está a possibilidade de reduzir os níveis de abstenção.

«Teríamos muito mais pessoas a votar do que temos tido estes anos se tivéssemos capacidade para estar de acordo. Mais pessoas sentiriam motivação para dar o seu contributo positivo através do voto», apontou.

No interior do país, Passos Coelho admitiu que «é preciso mais investimento» para que as assimetrias com o litoral «se encurtem», mas com uma estratégia diferente da que foi seguida nos últimos 25 anos.

«Procuramos orientações novas que nos possam ajudar a gastar melhor o dinheiro, não apenas quando se tratam de obras púbicas» mas também apoiando «empresas privadas» ou «instituições do terceiro setor, que devem poder também beneficiar deste tipo de apoio ao investimento».

No entanto, o governante alertou que os apoios deixarão de ser «a fundo perdido», de modo a que «haja a certeza de que não se gasta o dinheiro apenas para construir aquilo que depois terá menos utilização» do que era suposto.

«Queremos ter certeza de que o que se vai fazer nos próximos anos possa trazer emprego sustentável, possa gerar recursos que fiquem e possam ser apropriados nos territórios em que esses investimentos são feitos», concluiu.