O primeiro-ministro manifestou-se convencido de que é possível, até abril, um acordo com o PS quanto aos limites da despesa pública, o que dará tranquilidade aos mercados para obter juros baixos após a saída da troika.

«Se houver coerência do PS, e o seu secretário-geral tem dito que está disponível para fixar limites de despesa, de modo a mostrar que é possível conter a despesa pública e manter as nossas finanças públicas em ordem, estou convencido de que talvez consigamos até abril entendermo-nos, quanto ao que deve ser o caminho a seguir nos próximos anos», afirmou Pedro Passos Coelho.

O primeiro-ministro, que falava em Aveiro na apresentação da sua moção de estratégia e recandidatura à liderança do PSD, salientou que a 17 de maio, quando acabar o programa de assistência, Portugal, embora esteja melhor do que em 2011, ainda terá problemas, como dívida elevada, algum défice, «apesar de inferior à Irlanda», e um nível de desemprego elevado.

«Se ainda temos esses problemas, não temos de ficar à espera que sejam os de fora a dizer o que fazer e a impor condições: procuraremos para esse efeito, dado que estamos a falar de uma trajetória que irá até 2017, para além das legislativas, envolver e discutir com o PS para poder obter o mais alargado consenso possível», declarou.

Passos Coelho considerou que um eventual acordo de médio prazo com o PS quanto a pontos essenciais, «independentemente de qual seja a solução política de cada Governo», tranquilizará os mercados, permitindo ao país financiar-se a juros baixos.

«Os financiadores do mercado só precisam de saber se é muito ou pouco arriscado emprestar dinheiro a Portugal. Se quem está disponível para nos comprar dívida e financiar, achar que o país vai voltar a aumentar a despesa ou a pôr em causa a receita que é precisa para manter o Orçamento equilibrado, vão exigir juros muito altos e teremos de fazer muitos sacrifícios para os pagar», comentou.

Tal acordo com o PS, defendeu, é importante para «dar confiança aos investidores e pagar menos pelo dinheiro que o país vier a pedir emprestado».

«Avançaremos para definir um programa de médio prazo que, se vier a ter a adesão do principal partido da oposição nos seus principais objetivos, tenho a certeza que oferecerá uma grande tranquilidade a todos os financiadores da dívida pública», concluiu.