Dezenas de pessoas, aparentemente bolseiros de investigação, voltaram esta quarta-feira as costas ao hemiciclo após debate sobre a atribuição de subsídios para cientistas na Assembleia da República, no qual a maioria PSD/CDS-PP reiterou apoio ao modelo de financiamento da ciência.

O vice-presidente do Parlamento e deputado socialista Ferro Rodrigues, em substituição da social-democrata Assunção Esteves, enquanto lia o expediente seguinte, só reparou no protesto quando alertado pelo vice-líder parlamentar do PSD Luís Menezes, enquanto os manifestantes se mantinham em silêncio.

Bolseiros de investigação científica protestaram hoje em vários pontos do país contra o desinvestimento no setor em Lisboa, junto ao parlamento, mas também no Porto e em Coimbra. A Associação de Bolseiros de Investigação Científica (ABIC) tinha uma petição sua em debate em São Bento, tal como o PCP, que apresentou um decreto-lei contra o desmantelamento do Sistema Científico e Tecnológico Nacional.

A deputada comunista Rita Rato considerou «fundamental salvaguardar postos de trabalho e unidades e laboratórios de investigação» e defendeu a atribuição de novas bolsas «utilizando como referência mínima o número e valor das bolsas atribuídas no concurso de 2012».

A Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), entidade pública que atribui o apoio financeiro à investigação, revelou recentemente que os concursos de 2013, com efeitos práticos em 2014, resultaram em menos 900 bolsas individuais de doutoramento e menos 444 bolsas de pós-doutoramento.

«Depois de ter morrido argumento de que faltava investimento à ciência, querem agigantar agora o argumento de que com menos bolsas individuais não há ciência», contrariou a social-democrata Nilza Sena, que aconselhou a oposição a «não fazer tempestade de um copo de água», acompanhada pelo deputado do CDS-PP Michael Seufert, o qual anteviu «condições, porventura, melhores» para os investigadores.

A coordenadora do BE Catarina Martins apontou a existência de «menos 40 por cento de bolsas e menos 15 por cento de orçamento para a FCT».

«Os bolseiros e investigadores em Portugal deram provas em toda a sua carreira. Se há quem seja avaliado e escrutinado em Portugal são os bolseiros de investigação», afirmou.

A deputada socialista Elza Pais acusou o Governo de «mandar 5.000 cientistas para o desemprego ou para a emigração», acrescentando que «não há justificação para este desbaratamento ao nível dos recursos humanos qualificados a não ser uma obsessão ideológica de empobrecimento do país».