Os secretários-gerais do PCP e da CGTP alertaram hoje os dirigentes do PS para um futuro castigo eleitoral caso os socialistas cheguem ao acordo sugerido pelo Presidente da República com o PSD e o CDS-PP.

«Se o PS persistir nessa política, até porque ninguém é dono dos votos dos portugueses, um dia eles podem querer mudar, sentindo-se enganados. As eleições poderiam ser bastante clarificadoras», afirmou o líder comunista, Jerónimo de Sousa, após encontro com o dirigente da CGTP, Arménio Carlos, na sede lisboeta daquela central sindical.

O líder comunista criticou o partido «rosa», porque, «sempre, em última análise, acaba por se entender e fazer política de direita em vez da assunção de uma política alternativa, patriótica e de esquerda».

«Oxalá isso não aconteça, mas se o fizer (o PS) fica imediatamente corresponsável por uma política que vai inevitavelmente flagelar o povo português e o país», afirmou, prevendo o «aprofundamento da crise, da recessão, do desemprego e um novo assalto aos rendimentos de quem trabalha e de quem vive da sua pensão de reforma».

Por seu turno, o líder da CGTP concordou que «se o PS assinar algum compromisso no sentido de prolongar a política do memorando [da troika], que tanto sofrimento tem trazido aos portugueses e ao país, naturalmente não ficará bem visto e sofrerá as respetivas consequências».

«Para se ser de esquerda não basta dizê-lo, é preciso prová-lo. Se o PS der cobertura a isto, mesmo que seja com um parágrafo genérico, então assume as suas responsabilidades e torna-se cúmplice desta política, a qual pensamos que não pode continuar», concluiu Arménio Carlos.

Jerónimo de Sousa mostrou-se convicto dos resultados do «empenhamento» dos contactos dos comunistas «com outras forças políticas e sociais, à procura da convergência sobre as grandes questões, respeitando as diferenças que existem, nomeadamente em relação ao Bloco de Esquerda».

Arménio Carlos rejeitou ainda a opinião de que os portugueses têm sido passivos, ao salientar a realização de «mais de 3.000 manifestações e de quatro greves gerais nos últimos dois anos», embora frisando que a CGTP não confunde protestos com violência «nem outras implicações para o bem-estar ou o património das pessoas».