O Partido Socialista exigiu, esta terça-feira, que o primeiro-ministro se pronuncie sobre a polémica que envolve o secretário de Estado do Tesouro, Joaquim Pais Jorge, e diga se mantém a confiança na equipa das Finanças «a braços» com o caso da contração de swaps.

Numa conferência de imprensa, João Ribeiro, porta-voz do PS, declarou que à luz dos novos factos «o primeiro-ministro tem que responder com urgência» a várias questões sobre os novos cortes e sobre os contratos swap.

João Ribeiro referia-se às recentes declarações do secretário de Estado do Tesouro, Joaquim Pais Jorge, que confirmou, à SIC, que participou em pelo menos três reuniões para negociar contratos de risco de crédito, os swap.

Ao contrário do que já tinha garantido, o secretário de Estado esteve presente em reuniões que visaram negociar contratos swap de antecipação de receita fiscal.

Na resposta escrita enviada ontem à SIC, Joaquim Pais Jorge repete que não foi o autor de nenhuma proposta, mas admite ter tido conhecimento da proposta anunciada pela SIC, que permitiria esconder parte do défice do Estado, na altura acima dos 6 por cento.

O PS considera que a atual equipa das Finanças está fragilizada e exige que o primeiro-ministro diga se mantém ou não a confiança. «A credibilidade e a idoneidade políticas da equipa das finanças está no grau zero, como o país inteiro já percebeu. Parece que só mesmo o senhor primeiro-ministro não o compreendeu», afirmou.

Considerando que o silêncio de Passos Coelho mostra igualmente que o primeiro-ministro «também não compreende quanto isso é negativo para a imagem e para a credibilidade externas do país», João Ribeiro insistiu «a questão política essencial» é saber se o líder do executivo «mantém ou não mantém a confiança na sua equipa das finanças».

«Essa é uma questão que os portugueses querem ver respondida para poderem formular o seu juízo sobre o critério ético e político do principal responsável pelo governo. Para o PS, o continuado silêncio do senhor primeiro-ministro sobre esta matéria é tão preocupante quanto esclarecedor», acrescentou.

Questionado se o PS defende a demissão do secretário de Estado do Tesouro, o porta-voz socialista escusou-se a responder, reiterando que o importante é que o primeiro-ministro se pronuncie com urgência sobre a matéria.

«Vamos esperar pela resposta do primeiro-ministro», disse.

Passos Coelho está de férias no Algarve.