Em menos de uma semana, Joaquim Pais Jorge passou de mero desconhecido ao título de secretário de Estado mais polémico da última remodelação do Governo.

Swap: Governo diz que documento que envolve Pais Jorge foi manipulado

Isto porque o homem que foi nomeado e empossado para defender os interesses do Estado no caso dos Swap é o mesmo que em 2005 tentou vender estes produtos ao Governo de Sócrates para esconder o défice e a dívida.

Enquanto diretor do Citigroup em Portugal, Joaquim Pais Jorge terá tentado vender contratos Swap ao anterior executiv. Segundo a revista Visão, as reuniões decorreram no gabinete do primeiro-ministro, no Ministério das Finanças e no instituto que gere a dívida pública.

Estes produtos serviriam para maquilhar o défice e a dívida aos olhos de Bruxelas mas foram recusados pelo Governo socialista.

A noticia cai que nem uma bomba e leva o titular da pasta do Tesouro a explicar-se em conferência de imprensa. Mas as explicações começaram a dar lugar a contradições.

As declarações confusas levam muitos a pedir a saída do secretário de Estado, que entrou para o Governo precisamente para gerir o dossier dos Swap a convite de Maria Luís Albuquerque, a ministra das Finanças que também está na mira da comissão de inquérito.

Até chegar ao Governo, Joaquim Pais Jorge era presidente da Parpública e antes tinha estado na negociações para as parcerias público-privadas. Mas é o seu percurso no Citigroup que agora está no centro de toda a polémica.

Pais Jorge foi diretor do banco em Portugal e era responsável pelo negócio com as empresas. O secretário de Estado funcionava como elo de ligação entre a sede europeia do banco norte-americano, em Londres, e os clientes nacionais, quase todos entidades do Estado.

Ao fim de quase 20 anos no Citigroup, o agora membro do Governo saiu na sequência da reestruturação do banco que teve de ser intervencionado depois da crise do subprime.