O fundador do PSD Francisco Pinto Balsemão considerou terça-feira que o partido tem «muitas razões» para estar orgulhoso do que está a fazer à frente do Governo quando teve que enfrentar «uma das maiores tempestades» das últimas décadas.

O militante número 1 do PSD discursava na cerimónia do 40.º aniversário do partido, que decorreu terça-feira à noite no Porto e reuniu muitos membros da família social-democrata, entre os quais o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

«Quarenta anos depois, temos muitas razões para estar orgulhosos do que até aqui fizemos, como temos muitas razões - e quero deixar isto bem claro - para nos orgulharmos do que continuamos a fazer agora à frente de um Governo que teve de enfrentar uma das maiores tempestades que o nosso país atravessou nas últimas décadas», enfatizou.

Na opinião de Francisco Pinto Balsemão, «o PSD de hoje não é, não pode ser, uma fotocópia» do partido criado em 1974, nem «uma fotografia estática, parada no tempo, pendurada na parede».

«Por não pensarmos só em nós, por não sermos individualistas, por não lutarmos apenas por nós, pelos nossos interesses individuas, por isso não somos liberais, somos sociais-democratas», sublinhou.

No discurso de uma cerimónia com muita música, teatro e filmes sobre o partido - onde houve tempo para escutar o «Grândola Vila Morena» -, o fundador do PSD considerou que o partido tem «ainda muito para dar a Portugal» e que «a política não se faz apenas com a cabeça, faz-se também com o coração».

«Pugnamos pela justiça social, pela igualdade de oportunidades à nascença e até à velhice, por uma solidariedade que não é apenas económica, mas também social e é também cultural. Pugnamos ainda e sempre por um bem precioso que nos foi devolvido pelo 25 de Abril e que hoje, em nome da segurança, se encontra ameaçado. Lutamos ainda e sempre por esse bem precioso que se chama liberdade», sublinhou.

Para além dos ex-líderes Manuela Ferreira Leite, Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes, Luís Filipe Menezes e Pedro Santana Lopes, estiveram presentes na festa laranja vários membros do Governo, para além da presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves.

Enquanto decorria a cerimónia de comemoração dos 40 anos do PSD, uma vigília silenciosa da Associação de Pais e Amigos de Crianças e Jovens com Necessidades de Apoio Especializado ocupava o outro lado da rua onde fica a Alfândega do Porto, envergando cartazes e velas.

«Eu acho incrível como é que, face às dificuldades do país que leva a que tirem o apoio a estas crianças, estes senhores venham aqui mostrar todas estas vestimentas, esta forma de viver que é um insulto ao povo português», disse aos jornalistas Henrique Matos.

Na opinião do manifestante, foram os governantes que saíram da troika «limpos» já que «o povo português saiu da troika pobre, com fome e abandonado, inclusivamente as crianças com necessidade de apoio especializado», como reporta a Lusa.