O coordenador do BE acusou na última noite o líder do PS de ter contribuído para dar um «pequeno balão de oxigénio» ao Governo PSD/CDS, ao ter manifestado disponibilidade para negociar um acordo com a direita.

«O PS ao preferir dialogar à direita e não à esquerda acabou por contribuir para dar um pequeno balão de oxigénio a um Governo moribundo», disse João Semedo, que falava em S. João da Madeira, durante a apresentação da candidatura autárquica dos bloquistas neste concelho.

A declaração surge depois de o secretário-geral do PS, António José Seguro, ter acusado o PSD e o CDS de terem «inviabilizado» o acordo de salvação nacional proposto pelo Presidente da República, Cavaco Silva.

Para o coordenador da Comissão Política do BE, o Presidente da República pretendeu «dar ao Governo a força que já não tinha para continuar a impor à força a política de austeridade, do memorando e da troika».

«O que é lamentável é que haja quem se tenha prestado a dar esse balão de oxigénio ao Governo», concluiu, acrescentando que no final desta terceira semana de crise política, a oposição «ficou mais frágil, mais enfraquecida».

João Semedo lembrou ainda que não foi por falta de alternativas que o PS escolheu aqueles parceiros, referindo-se ao facto de os bloquistas terem proposto tanto ao PS como ao PCP a abertura de um processo de discussão e aprovação das bases programáticas de um governo de esquerda.

O coordenador bloquista acusou ainda o Presidente da República de ter «arrastado o país para uma crise», ao recusar a realização de eleições legislativas antecipadas, afirmando não saber como é que Cavaco Silva «vai sair do imbróglio que ele próprio criou».

«Tivesse Cavaco Silva demitido o Governo há três semanas e chamado a democracia a resolver o problema e provavelmente não continuaríamos nesta indefinição sem saber como é que o país, do ponto de vista político, estará amanhã e na próxima semana», referiu.

O dirigente bloquista adiantou ainda que o partido vai concorrer às eleições autárquicas com 130 a 140 candidaturas, um número «muito semelhante» ao de há quatro anos.

João Semedo manifestou confiança num bom resultado para o Bloco, não só porque têm «bons candidatos», mas também porque «já ninguém pode com a direita, com Pedro Passos Coelho e Paulo Portas. Já ninguém aguenta esta gente».

O Bloco de Esquerda concorre à presidência da Câmara de S. João da Madeira com uma lista encabeçada por André Oliveira, que se propõe desenvolver a ação social no concelho e dinamizar a indústria e comércio locais.

Com 28 anos de idade, o cabeça-de-lista do BE é instrutor de Yoga, estudou teatro na Academia Contemporânea de Espectáculo do Porto e está neste momento a frequentar o curso de Medicina Tradicional Chinesa no Instituto Europeu de Estudos Tradicionais Chineses no Porto.

André Oliveira tem como adversários conhecidos na corrida à autarquia Ricardo Figueiredo (PSD), Luís Miguel Ferreira (PS), Rogério Silva (CDS), Rita Mendes (CDU) e Emanuel Bettencourt (independente).