As bancadas dos partidos da direita aproveitaram as intervenções finais para deixar recados ao Partido Socialista. Guilherme Silva pelo PSD e Telmo Correia pelo CDS traduziram o «sim» dos seus partidos ao apelo do Presidente da República.

Coube a Telmo Correia a intervenção mais acalorada para não dizer apaixonada no debate do Estado da Nação, numa proposta de namoro aos socialistas: «Obviamente que queremos um diálogo alargado».

«Se não conseguir um governo conjunto, pelo menos um acordo em relação ao essencial, que ultrapassará uma legislatura». Sempre com os olhos postos na bancada socialista: «Não ignoramos a necessidade a abertura de um segundo ciclo e novo impulso na governação do apelo que não ignoramos do Presidente» e «dirigiu-se diretamente ao PS para não acrescentar nenhuma crispação à crispação existente».

Mas, porque para dançar o tango são precisos dois, Telmo Correia tanto mostra a abertura do partido para uma «nova atenção ao investimento e a economia» como ao pedido de «flexibilização aos nossos credores».

O CDS não estende, no entanto, o pedido de namoro aos outros partidos da esquerda. «O entendimento tem de se fazer com os três que assinaram o memorando» porque «não há solução possível com apelos a não pagar e outros que querem pagar».

Telmo Correia, que logo que começou a falar, elogiou bastante o primeiro-ministro, com as bancadas da direita a corroborarem com uma salva de palmas, aceitou o desafio da moção de censura apresentada pelos Verdes: «Vamos discutir a moção de censura», entendendo-o como um «momento de afirmação e coesão de uma maioria».

O deputado frisou que «não há nenhuma falta de legitimidade» do governo e que «não aceitam que tenham que se pedir eleições todos os dias».

«Não aceitamos lógica de intimidação», disse ainda, numa alusão aos distúrbios nas galerias na quinta-feira, galerias que estiveram muito calmas e quase vazias. Aliás, Assunção Esteves classificou a dada altura o debate como «sereno».

Antes, já Guilherme Silva tinha aceitado o repto de Cavaco Silva e o diálogo com o PS, sem, no entanto, deixar de recordar que chegámos aqui depois do «pântano de Guterres e da bancarrota de Sócrates».