O secretário-geral do Partido Comunista, em entrevista à TVI24, esta quarta-feira, defendeu que a dívida pública deve ser renegociada, mas não defende o seu não pagamento. Portugal não está melhor e vem aí mais austeridade, já com data marcada, a partir das europeias.

«Nós não dizemos não pagamos, dizemos que qualquer dia não podemos pagar», disse Jerónimo de Sousa. É, por isso, tempo de renegociar os juros da dívida, segundo o líder do PCP, preocupado que o pagamento dos juros da dívida vão atingir 8 mil milhões de euros.

«Não vão matar a galinha, por isso, enquanto puderem esmifrar o nosso país».

Mas, o «Governo não está disponível para renegociar», nem dar corpo a uma das propostas do PCP que propunha uma «moratória» e, consequentemente, Portugal fiar com os «juros congelados».

Com ironia, Jerónimo de Sousa enumera um «êxito deste governo»: o «empobrecimento do país, objetivo que o Primeiro-ministro assume cada vez com mais clareza».

Mais, quando esta quarta-feira no Parlamento disse «escusam de pensar que voltamos aos níveis de há três anos, é uma confissão clara desse objetivo».

E o líder do PCP ainda acrescentou: «O empobrecimento não é uma consequência, é um objetivo».

«Como é que o país está melhor se o seu povo está pior. É uma contradição insanável», referindo-se ao desemprego e aos cortes sociais e criticando o alegado apoio aos grandes grupos económicos.



Em dia de debate quinzenal marcado pelo episódio protagonizado entre o primeiro-ministro e o BE, e que os deputados deste grupo parlamentar abandonaram o hemiciclo em protesto pela recusa do Chefe de Estado de responder à sua líder, Jerónimo de Sousa adotou um «sentido crítico em relação ao posicionamento» do Primeiro-ministro. Ainda que admitindo o excesso de verbalização ou adjetivação», tal é a uma consequência do próprio debate» e recordou que também ele lhe fez acusações sérias porque Passos Coelho «não falou verdade quando disse que os cortes eram meramente transitórios».