O PSD lembrou esta quinta-feira no Parlamento que faltam 100 dias para as eleições europeias, apelando ao voto em prol do «projeto comum» que é a Europa, com a oposição a advertir que o resultado do sufrágio terá de ter uma leitura nacional pelo Governo.

«Faltam 100 dias para as eleições europeias, 100 dias para mobilizar os cidadãos europeus, e os portugueses em particular, para participarem num projeto que une cidadãos de diferentes países à volta de um ideal», disse o deputado social-democrata António Rodrigues numa declaração política no Parlamento.

O deputado do PSD alertou para a «possibilidade de a abstenção em toda a Europa assumir valores recorde» no sufrágio de maio, «o que por si pode tornar o projeto europeu mais difícil de evoluir».

«A abstenção pode tornar-se no melhor aliado daqueles que lutam contra uma Europa unida em nome das agendas ideológicas próprias. O que aconteceu com o referendo na Suíça deve ser um sinal de alerta», prosseguiu o parlamentar, lembrando a recente vitória do «sim» na imposição de limites à imigração naquele país.

«Todos, mesmo todos, temos a responsabilidade de mobilizar os eleitores. A Europa não são fundos, são oportunidades. A Europa não é uma ideia, é uma certeza», declarou ainda António Rodrigues.

Na resposta, a oposição advertiu para a leitura nacional que o Governo «terá de fazer» com o sufrágio europeu que se avizinha, previsto para 25 de maio.

O parlamentar do PSD, disse António Filipe, deputado do PCP, recusou na sua intervenção «a ideia de fazer qualquer leitura nacional das eleições europeias», sinal «muito revelador do que atormenta» o partido.

«Nestas eleições europeias o Governo vai ser julgado nas urnas pelos portugueses», alertou o comunista.

O PS, pelo deputado Carlos Zorrinho, apelou também ao voto no sufrágio para evitar um elevado número de abstencionistas mas reclamou uma «campanha digna» onde os partidos da coligação de Governo, que «todos os dias praticam o mais profundo eleitoralismo», não voltem «a iludir os portugueses».

Pelo Bloco de Esquerda, o líder parlamentar Pedro Filipe Soares disse que em muitas matérias, como o tratado de Lisboa ou o pacto orçamental, os partidos do arco da governação não quiseram ouvir a opinião dos portugueses, nomeadamente por via de referendos, criticando também uma Europa «que vira costas aos cidadãos e às suas necessidades».

«Quando o país mais precisava, em vez de nos darem a mão, colocaram-nos o pé em cima, trouxeram austeridade, e essas são as coisas que vão a votação em maio», alertou o bloquista.

Também Heloísa Apolónia, pelo Partido Ecologista Os Verdes, criticou a intervenção do deputado do PSD, anuindo que a maioria «anda com um problema sério, não sabe ouvir», dizendo erradamente que a oposição «não apresenta propostas» e acusando PSD e CDS-PP de serem «totalmente submissos à Europa»,cita a Lusa.

Mais próximo da visão de António Rodrigues, o líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, diz que as eleições europeias de maio trarão um «reforço» da importância das instituições comunitárias, acusando a oposição de «só pensar em eleições» e querer a queda do Governo, em vez de se focar em «projetos alternativos» e propostas diferentes em diversas áreas.