O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho reclamou hoje estar a alcançar os resultados desejados na governação e, em resposta aos que o criticam como líder do PSD, observou que «não se pode ser bem em tudo».

Na sessão de apresentação da sua recandidatura à liderança do PSD, num hotel de Lisboa, perante uma plateia de militantes sociais-democratas, Passos Coelho pediu desculpa por não dispensar o tempo necessário a falar com os militantes, agradeceu o apoio do partido ao Governo e acusou o PS de negativismo.

No final do seu discurso, antes de um período de debate fechado à comunicação social, declarou: «Vamos conversar hoje, depois desta intervenção. Tenho-o feito, não na qualidade de candidato, mas na qualidade de presidente do partido algumas vezes, mas, evidentemente, não as vezes necessárias. Já não sei quem é que disse que não tenho sido um bom presidente do PSD - bem, não se pode ser bem em tudo». Esta afirmação suscitou risos e palmas dos presentes.

Na sua intervenção, o chefe do executivo PSD/CDS-PP defendeu que «as teses mais catastrofistas» que antecipavam «uma espiral recessiva» ou «um segundo resgate» e contestavam a possibilidade de «tirar o país da crise e consolidar as contas públicas ao mesmo tempo» foram derrotadas.

«Aquilo por que lutámos está gradualmente a ser conquistado. Aos poucos, de forma consistente, o país percebe que nós estamos a recuperar. Digo isto, evidentemente, com muita satisfação, porque nós no Governo, com o PSD, esforçámo-nos muito para não nos desviarmos deste caminho que era decisivo para o país», afirmou.

Passos Coelho reclamou «resultados efetivos» na recuperação do emprego, da confiança dos investidores e da economia, referiu-se à emissão de dívida portuguesa «tão bem sucedida» que se realizou hoje e à privatização da Caixa Seguros.

«Nós não embandeiramos em arco, não atiramos foguetes, mas dizemos às pessoas, com a satisfação de quem está a cumprir o seu dever: nós estamos a fazer o que é preciso e isso, apesar das grandes dificuldades por que temos passado, tem-nos permitido alcançar os resultados que desejávamos», acrescentou.

O presidente do PSD lamentou não haver uma união de esforços entre Governo e oposição e deixou várias críticas ao PS, falando em «partidos que olham para esta situação com desespero» e que têm "uma mensagem negativa despropositada» e de «enorme demagogia».

«O PS, se hoje estivesse a governar, faria evidentemente tudo ao contrário daquilo que diz a cada dia que passa quando entende a criticar o Governo e isto toda a gente percebe no nosso país», sustentou.

Em contraste, manifestou «muito orgulho» no PSD, considerando que se tem comportado com «enorme responsabilidade», como «um exemplo de perseverança», e que «não tem sido fácil» para os sociais-democratas.

Dirigindo-se aos militantes do PSD, Passos Coelho disse precisar deles para «voltar a dar da política e dos partidos uma imagem positiva», para «vencer por vezes algumas barreiras de comunicação» e para «prosseguir a caminhada» e deixou um agradecimento a todos: «aos que concordam mais e aos que discordam mais».