Passos Coelho não se demite nem receia moções de censura: «Muito bem-vinda a moção de censura», disse a Heloísa Apolónia, de Os Verdes, o primeiro-ministro Passos Coelho no debate do Estado da Nação, acrescentando que o governo tem o apoio de «uma maioria coesa».

Passos havia-se queixado de que Apolónia não «valorizava» as vitórias da economia portuguesa. «A obrigação de todos nos é valorizar o que de positivo temos», explicava Passos Coelho.

Passos tirou um coelho da cartola a meio do debate: «Portugal foi o país com o terceiro maior crescimento homólogo na produção industrial», ao que Heloísa Apolónia comentou: «É sempre um anúncio no meio da tempestade que a recuperação está para breve». Os números do Eurostat foram apresentados no final da resposta a João Semedo, dos Bloco de Esquerda, que afirmou que o «governo acabou».

O governo morreu, o governo acabou. É este o estado do governo», disse João Semedo.

«Como é que quer manter um governo vivo depois destes três golpes». E «pior que não perceber que o governo acabou, é não perceber» por quê: «acabou pela política de austeridade e governantes que não respeitam a sua própria palavra». João Semedo enumerou a demissão de Gaspar, depois a demissão de Portas e a declaração de Cavaco Silva como os três golpes.

«Deixe-me terminar dizendo: desista, o pais agradece», fechou João Semedo.

Passos defendeu-se, numa declaração que foi dirigida ao PS também: Tenho «dificuldade em compreender como é que há partidos que acham que para se fechar o programa de assistência financeira se deve falar com o BE».