O Presidente da República lembrou esta terça-feira o historiador e político José Medeiros Ferreira como um dos «intelectuais mais notáveis do país», sublinhando igualmente a sua «destacada e exemplar intervenção cívica».

«Ao longo da sua vida, teve destacada e exemplar intervenção cívica, sendo, na verdadeira aceção da palavra, um homem de pensamento e de ação. Os portugueses reconheciam em José Medeiros Ferreira um dos intelectuais mais notáveis do país, que sempre se caracterizou pelo amor à liberdade e pela independência de espírito», lê-se numa mensagem de condolências enviada pelo chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, à família de Medeiros Ferreira, citada pela Lusa.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse ter recebido «com profunda tristeza» a notícia da morte de José Medeiros Ferreira, que recorda como «uma figura marcante da vida portuguesa contemporânea».

«Nesta hora de pesar, o primeiro-ministro presta homenagem a uma figura marcante da vida portuguesa contemporânea, recordando um trajeto pessoal que abarcou uma profícua carreira académica, a oposição à ditadura, um contributo decisivo para a consolidação das instituições democráticas, desde logo como Deputado à Assembleia Constituinte, e um permanente e frontal ativismo cívico e reformista, mantido até ao final da sua vida», refere uma nota do gabinete do primeiro-ministro, que se encontra em Berlim, numa deslocação oficial.

«O primeiro-ministro apresenta assim as suas mais sentidas condolências à Família enlutada, a todos os que com ele privaram e ao Partido Socialista, de que era militante», acrescenta o texto que a Lusa teve acesso.

O secretário-geral do PS também já reagiou à morte de Medeiros Ferreira. António José Seguro lamentou, numa mensagem publicada no seu Facebook, a morte do historiador e político, elogiando o serviço prestado ao país e o ideal democrático defendido.

«Recebi com enorme tristeza e consternação a notícia da morte de José Medeiros Ferreira», refere António José Seguro na mensagem, adiantando que o ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de Mário Soares «serviu o nosso país e o ideal democrático, primeiro como resistente à ditadura e, depois, em democracia, como governante e como parlamentar, onde representou os seus Açores».

O PSD também prestou homenagem ao historiador, lembrando o «político incansável» e o «defensor acérrimo do regime democrático».

«Político incansável, Medeiros Ferreira foi um defensor acérrimo do regime democrático, quer na luta contra o antigo regime, quer como membro do I Governo Constitucional e deputado à Assembleia da República», declarou o vice-presidente e coordenador político do PSD, Marco António Costa, numa declaração à agência Lusa.

O porta-voz social-democrata diz ainda que Portugal perdeu hoje «um historiador reconhecido, com um vasto e riquíssimo contributo no domínio das relações internacionais, um humanista e um homem de cultura que a todos honra e orgulha», como escreve a Lusa.

O antigo deputado do PS Manuel Alegre destacou o contributo do socialista Medeiros Ferreira para a resistência antifascista e para a construção da democracia portuguesa, considerando que «marcou a história portuguesa».

«Era, além do mais, um amigo, um companheiro de geração, um grande político que marcou a história portuguesa contemporânea, quer na luta estudantil, quer na resistência antifascista, quer pelo seu contributo para a construção da democracia», disse Manuel Alegre, em declarações à Agência Lusa.

Igualmente, o ex-Presidente da República Jorge Sampaio manifestou o seu «enorme desgosto» pela morte de José Medeiros Ferreira, personalidade dotada de uma «inteligência grande» por quem sempre teve «grande respeito intelectual».