O Ministro dos Negócios Estrangeiros diz que, afinal, não comprou ações da Sociedade Lusa de Negócios (anterior dona do BPN) a um euro, tal como havia admitido no início do mês, e sim a 2,2 euros, o mesmo preço pago pela FLAD, a Fundação a que presidia.

A 2 de agosto, Rui Machete, depois de confrontado pelo jornal Público, confirmou a aquisição de ações da SLN a um euro, e dias depois o Expresso escreveu que a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento adquiriu na mesma data ações a um preço superior, mais 1,2 euros cada.

O ministro esclarece, agora, através de comunicado enviado ao Expresso, que também comprou as ações a 2,2 euros. «Admiti, equivocadamente, que teria adquirido as ações ao preço de 1 euro. Apercebi-me do equívoco ao ser posteriormente referido que tinha adquirido as ações a um preço diferente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), quando era minha absoluta certeza de que tal não acontecera. Apesar dessa convicção, não respondi de imediato, porque não dispunha na altura das provas documentais que podiam confirmá-la insofismavelmente», explica.

«Depois de reunidos e analisados os documentos que formalizam as referidas transações de ações, realizadas há mais de 12 anos, estou agora em condições de afirmar perentoriamente que não comprei ações da SLN a 1 euro nem comprei ações da SLN a um preço diferente do que pagou a FLAD», garante Rui Machete.

O governante acrescenta que subscreveu 22.650 ações da SLN, a 27 de dezembro de 2000, num processo de aumento de capital, ao preço de 2.2 euros, «exatamente o mesmo que pagou a FLAD, no mesmo momento e no mesmo processo, como resulta da ordem de compra que detenho em meu poder e da escritura pública de reforço do capital social celebrada em 28 de dezembro de 2000».

A 30 de agosto de 2007, Rui Manchete afirma que vendeu as ações por 2,5 euros. «Considerando os referidos preços de aquisição, a mais-valia obtida foi, assim, de 13.010 euros (cerca de 4% ao ano, no período de seis anos e oito meses) e não de 38,2 mil euros», como foi noticiado e que tinham por base a compra inicial das ações a um euro.